Surrealismo em vídeo 2

4 06 2009

Eu que fiz!

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Dois banheiros

20 05 2009

Essa história aconteceu entre agosto e dezembro de 2008.

Ser um quintanista de direito tem lá suas vantagens, pouca aula, muito buteco, muita festa bancada pelos professores e uma sabedoria muito peculiar: conhecer todo espaço físico da faculdade.

Um desses espaços físicos que só os quintanistas de direito de uma faculdade de Marília conhecem chama-se banheiro da biblioteca. O local de sua construção é estratégico, fica nos fundos da ala de vídeos educativos, ou seja, 2 ou 3 visitantes por biênio. Sendo assim, quando a vontade apertava era para lá que os quintanistas corriam.

No entanto, um de meus amigos desconhecia o paradeiro desse pacífico local, expliquei e lá foi ele em sua desbravante epopéia. E aqui abro um aparte para elucidar mais uma das vantagens de ser quintanista: a amizade que um curso de 5 anos proporciona, não há meio termo entre uma conversa de quintanistas e eis que em seu retorno ouvi o seguinte relato.

“…cheguei e entrei na primeira porta que vi. O silêncio de lá é reconfortante e animador. Sentei-me na privada e logo veio a linha de frente das tropas do general Delgado. O barulho era ensurdecedor mas eu ouvi ruídos estranhos ao que estava acostumado. Não dei bola e dei continuidade à batalha. No entanto, os ruídos continuaram estranhos e resolvi parar de repente, só pra confirmar. Foi então que reparei que não estava sozinho, havia outra pessoa na porta ao lado da minha.

Nem pestanejei, comecei a gargalhar como um maluco e o sujeito ao lado também. Após as risadas começamos a conversar. Falamos sobre algumas novas modalidades de contrato, da reforma do Código Civil, da farsa do tribunal do júri etc. Então veio o momento crucial. Precisavamos sair… Ele sugeriu que um esperasse enquanto o outro tivesse tempo para evadir-se da biblioteca. Eu concordei e assim foi, ele saiu, esperei mais 2 ou 3 minutos e também sai. Não sei quem é, nem nunca vou saber. E tudo isso graças a você!”

Eu ouvi isso de verdade, por isso não cito nomes nem datas mais precisas.

Créditos fotográficos: Almeirim





Como dar aulas sobre surrealismo

5 05 2009

Professora ou professor do meu Brasil varonil, eu não faço a menor idéia em que série a gente aprende sobre surrealismo, o que eu sei é que tudo que aprendi sobre foi com minhas pesquisas, leituras e visitas a museus. Mas parecem que resolveram ensinar nas escolas, então não perca a oportunidade de ensinar essa mulecada o valor real do surrealismo.

Lição 1 – Não supervalorize Salvador Dalí. O surrealismo foi muito além do que o bigodudo aí fez, claro que deixá-lo de lado não é uma escolha. Mostre suas telas, mostre suas singularidades mas não deixe o homem superar a obra, Dalí foi um dentre vários. Não esqueça de levar o perfume…

Lição 2 – Diferentemente das outras expressões artísticas, o surrealismo não se importa do que vão pensar das suas telas. Sendo assim, cuidado ao mostrar uma onde a virgem espanca o menino Jesus. Os pais e responsáveis podem ficar putos e uma demissão pode vir a acontecer. 

Lição 3 – Surrealismo não é só pintura. Vale a pena dar uma lida no Manifesto escrito por Breton, tanto pela parte histórica quanto pelo significado do movimento. Sim, é um pouco extenso e de vez em quando chato, nada que tenha matado alguém entretanto.

Lição 4 – Mostre o filme Um cão andaluz. Como eu disse, o surrealismo foi além da pintura. O filme é ótimo, algumas cenas são imprórias, admito, mas nada tão violento quanto o PicaPau ou o Frajola. É preto e branco, sem som, completamente nonsense, mas é mais do que uma aula de surrealismo, além de ser de pouca duração. Caso não o tenha disponível, aí vai o link para download: Um cão andaluz. O filme foi dirigido por Luis Buñuel e o próprio ícone, Salvador Dalí. De qualquer forma é melhor assistir antes de mostrar pra galerinha…

Lição 5 – Vanguarda é completamente diferente de chefia. Afinal de contas Breton nunca cobrou aluguel dos artistas por entupirem seu apartamento, não ganhou nenhum dinheiro significativo, nem se promoveu a tal ponto. Vanguardas estavam um passo a frente na cultura artística de sua época e por isso se posicionavam no pelotão de frente. Já a vanguarda surrealista, diferentemente do que propõe os wikipedistas, não se considerava a detentora da verdade, porém chegou a expulsar membros que não seguiam a linha “imposta” ao resto dos “militantes”.

Lição 6 – Kafka. Embora a maioria dos chatos literatos brasileiros não enxerguem em Kafka um potencial surrealista, na minha opinião A Metamorfose está muito perto disso. Um ser que se transforma num barata, a única explicação é essa: surrealismo.

Lição 7 – Miró. Se tudo isso parecer um pouco chato, nada melhor do que mostrar algumas telas, certo? E por que não Miró? Seus quadros são os que possuem aquela coisa lúdica mais implícita, duvido que uma criança ou adolescente não goste… 

Lição 8 – Créditos. Diga que viu essas lições aqui, no Surrealismo do Acaso!

Lição 9 – Museus. Obviamente leve seus aluninhos ao museu! *

*Thank´s to Incautos do ontem!





Pode vir quente que eu estou tremëndo!

5 05 2009

Aulas de português geralmente são maçantes (maça de bater, aquela arma, não massa de bolo ou de pão), no entanto, certos professores conseguem prender a atenção dos alunos com certas explicações sobre nossa tão difusa língua. Como você sabe ou pelo menos deve imaginar, o português brasileiro não é igual em todas as regiões do país. Ter uma unificação total da língua em um país tão grande é tarefa sísifica digna de um Hércules erudito do século XXI. E isso é bom, minto, isso é ótimo, essa diversificação cultural ao invés de ser combatida como acontece hoje em dia deveria, na realidade, ser incentivada, explico mais adiante.

O nordeste de nosso país tem uma forma de se utilizar do português muito característica, não só quanto a linguagem oral, mas na escrita também. Enquanto que no sul e sudeste do país os artigos a e o antes da preposição de são sempre utilizados, no nordeste esse tipo de uso é completamente inusual. Exemplifico: Sul e Sudeste -> Vou na casa da Maria; Nordeste -> Vou na casa de Maria. Pode parecer pouca coisa, mas esse tipo de frase consegue ser uma das mais utilizadas em conversas informais e bate-papos. Bom, a coisa não para por aí e, para deixar mais clara essa diversificação, nada melhor do que uma pequeno comentário sobre os sotaques.

A história mostra que, principalmente nas regiões sudeste e sul, a imigração européia (e aqui leia-se espanhóis, italianos, alemães, franceses etc) foi a que teve maior influência nas partes sul da região sudeste e norte do sul. Tanto é assim que, no interior de São Paulo meu o sotaque é ultra-carregado no R, ou seja, uma clara caractéristica da língua inglesa que inluenciou meu o sotaque carregadão no R (foram os ingleses que lotearam boa parte das terras nessa região, Londrina é uma bela prova dessa característica). Já no nordeste a coisa foi diferente, devido aos ciclos que ocorriam no Brasil, a população de lá pouco ou nada foi influenciada por essa imigração européia, ou seja, a população se constituía basicamente de portugueses, negros africanos usurpados de sua terra para se tornarem escravos nas lavouras do Brasil e índios. Ou seja, conclui-se que o português de lá teve sua maior influência dada pelos índios e negros.

E então me aparecem com essa tal de reforma da língua portuguesa, imposta, mal digerida e porcamente explicada. Não sou daqueles que implicam com mudanças, muito menos vai fazer muita diferença na minha vida, nunca usei o malfadado trema quiçá soube pra que servia. Mas o acaso vem a galope, me pego a ler uma crítica do que se disse silenciado, que aponta o naciolismo no surrealismo tupiniquim. E ainda se acha perto de classificar alguma coisa que, com certeza, não faz nem idéia do que é, em essência. Por fim, pelo que entendi, faz uma tradução de Lenin, que isso companheiro?

Em resumo, cansei de perder meu tempo com os mimimi´s dessa mudança, quer falar sobre surrealismo, surpresa, estamos abertos novamente! E tenho dito!





Poesia surrealista # et finitum – Maximillien Ernst

19 06 2008

DOIS MIL PELES VERMELHAS

Para eles

o tempo existe

em estado abolido

Dois mil peles-vermelhas se abaixam

na planície

felizes de sua ventura

preludiam as sublimidades de suas danças

Eles tragam os dias

tumultuam as noites

Dois mil peles-vermelhas e lúcidos

se preparam para fazer rir a chuva

suas terras enrugadas pelo desejo e pela fome

fazem bater seus tambores a sons plenos

Sons

plenos

Dois mil peles-vermelhas amorosos

se preparam para misturar seu sangue inquieto

ao leite sombrio de suas mulheres muito calmas

ao mel ridente de suas belas crianças

Crianças do século

onde estão vossos tridentes

Dois mil peles-vermelhas

pálidos mas sólidos

deixam as famílias para morrerem à parte

Dez mil peles-vermelhas

o sangue em fogo

sua vida ainda está lá

em busca de demônios

SETE MICRÓBIOS VISTOS ATRAVÉS DE UM TEMPERAMENTO (1953)

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Max Ernst – Criador da “colagem” surrealista em 1919 com a qual impressionou Breton, foi expulso do movimento em 1954 por aceitar o Grande Prêmio de Pintura da Bienal de Veneza.

Fonte: Os arcanos da poesia surrealista – Seleção de José Pierre e Jean Schuster com tradução de Antônio Houaiss. Editora Brasiliense.





Exposição surrealista em Bilbao – Espanha

13 06 2008

 

casal

Nosso correspondente na Europa, Rodrigo Camilo, após anos de sua partida enviou seu primeiro material! Camilo, como é conhecido, é um guri de Ipaussu, ou seja, da minha terrinha. Diferentemente de mim, ele estudava e levava a sério o que aprendia na Etel. Resultado? Passou no vestibular da USP e algum tempo depois foi parar na França.

Mas vamos ao que interessa, a foto trata-se de um verdadeiro Dalí exposto em Bilbao, na Espanha durante uma fantástica mostra surrealista. A obra intitula-se Um casal com a cabeça cheia de nuvens e representa o artista e sua endeusada companheira Gala. A composição separada dos quadros (onde a paisagem parece ser a mesma) define a idéia de que os casais apesar de cada um ser um, estão sempre em sintonia, estão sempre unidos. Talvez, por acaso, essa seja a homenagem de Dalí aos casais, e aqui fica essa homenagem (atrasada) do Surrealismo do Acaso para todos aqueles que são uma só paisagem… 

P.s.: eu consegui perder a foto original…





Suprarealismo

13 06 2008

A origem da palavra surrealismo, melhor, a genealogia da palavra surrealismo é composta pela idéia da expansão da realidade no chamado mundo das artes. Na Romenia o surrealismo é chamado de suprarealism, não sei se a língua romena tem alguma coisa latina, mas no que tange ao surrealismo, sua significação, se levada ao pé da letra, nos conduz ao mesmo significado. Além do real…

Eu e você somos acostumados a vários tipos de coisas, nos familiarizamos com o cotidiano a ponto de aceitar todo tipo de coisa como normal ou mesmo como real. Vira e mexe com certeza você abre seu navegador e acessa algum site de notícias e lá está algo como: “Membro do RBD posa para revista gay mexicana” ou “Corintianos iniciam campanha no orkut para tirar o goleiro Felipe”. Daniel Cohn-Bendit (um “anarquista” metido a besta) disse em seu “O grande bazar” que quando a humanidade possuísse um mecanismo que os unisse diretamente sem que precisassem sair de suas casas a coisa seria diferente…

Ong´s são financiadas pelo governo, governos são moldados por Gno´s (Grupos nacionais oportunistas, mais conhecidos como Partidos), o governo financia os filmes, os filmes são contra o governo, metade dos brasileiros resolveu fechar os olhos, a outra adormeceu, televisão é cultura, novela uma cátedra e eu sozinho no dias dos namorados…