Shakespeare político!

26 04 2008

Uma breve introdução: Curitiba é uma ótima cidade, enfim! Assisto palestras gratuitamente, assisto filmes antigos gratuitamente. Assisti então uma palestra sobre Shakespeare.

Othelo! Othelo foi um general mouro a serviço dos europeus que deu em cima da filha de um senador e… se deu bem, a priori. Depois matou Desdemona e a si mesmo. Othelo não era negro, como querem a maioria das peças, pelo que entendi era mouro e ponto. Apesar da palestra ter sido pautada na narrativa em Othelo, o que mais me chamou a atenção foi um comentário da professora em relação ao poder do teatro naquela época. Quando Shakespeare encenou um dos Henriques (não me recordo qual, perdão!), teve que se explicar muito direitinho para o rei e toda a nobreza inglesa da época. Sim, pois a peça referia-se a um rei destronado! Ou seja: “Shake, vem aqui um minutinho! Como que tu mostra para a população que um rei pode ser destronado? Usou drogas é? Pensas que estamos aqui por mero acaso? Somos a vontade de Deus, exijo explicações gurizinho, imediatamente!”.

Em síntense, a arte ultrapassava as barreiras da arte e se metia onde não era chamada! Cara, isso é impressionante, imaginem um Shakespeare dos dias de hoje! É uma pena que os artistas e intelectuais prefiram fazer propaganda a favor de políticos e demais escória (vide Chico Buarque de Holanda)…

¡Se hay gobierno, yo soy contra!





Chaiquispier anarquista

20 04 2008

Que o casamento de duas almas não seja posto a prova pelo mar bravo de nossos tempos. Porque o amor de hoje é tão rápido quanto àquela estrela-guia que sumiu sem mais nem menos, sem deixar vestígios pros que ainda pensam ser amantes eternos… Porque se me achas um mentiroso por escrever o que escrevo, nenhum homem jamais tomou um pé na bunda ou eu sequer me apaixonei de novo!

Até que as estreals caiam do céu, pra mim e pra ti. Até que a música acabe. Até que os bebês de leite sejam enterrados na areia.

Me ame duas vezes. Me ame até até que os 7 cavalos do sonho azul passem pela janela. Me ame mil vezes, como nunca tenha feito.

Os ventos de inverno esfriam o país inteiro. Os ventos de inverno… mas você deve ser tão quente, vinda do sul como a tempestade do século.

E diga a todos que encontrarem, diga a todo mundo! Deixe-os livres, diga a eles para correrem, diga a todos! Me pegue pela mão, vamos enterrar nossos problemas na praia.





Shakespeare para iniciantes

19 04 2006

Versão original:
Let me not to the marriage of true minds
Admit impediments. Love is not love
Which alters when it alteration finds,
Or bends with the remover remove:
O, no! it is an ever-fixed mark,
That looks on tempests and is never shaken;
It is the star to every wandering bark,
Whose worth´s unknown, although his height be taken.
Love´s not Time´s fool, though rosy lips and cheeks
Within his bending sickle´s compass come:
Love alters not with his brief hours and weeks,
But bears it out even to the edge of doom.
If this be error, and upon me prov´d,
I never writ, nor no man ever lov´d.

Minha tradução:
Que eu não admita empecilhos na união sincera de duas mentes.
O amor não é amor quando se altera diante das alterações.
Ou curva-se ao remover o que deve ser removido:
Ó não! É uma marca eterna,
Que fixa-se diante das tempestades e nunca se abala;
É a estrela guia de todo barco perdido,
Que tem seu valor desconhecido, mas de grande consideração.
O amor não é brinquedinho do Tempo, que através dos lábios e bochechas rosas
Vem curvar-se diante das circunstâncias desagradáveis a vir;
O amor não se altera com o curto passar das horas e semanas,
Mas suporta tudo até o topo do destino.
Se isso estiver errado e me provem frente-a-frente,
Eu nunca escrevi, nem nenhum homem jamais amou.

Tradução de Ivo Barroso:
Que eu não veja empecilhos na sincera
União de duas almas. Não amor
É o que encontrando alterações se altera
Ou diminui se atinge o desamor.
Oh, não! amor é ponto assaz constante
Que ileso os bravos temporais defronta.
É a estrela guia do baixel errante,
De brilho certo, mas valor sem conta.
O amor não é jogral do Tempo, embora
Em seu declínio os lábios nos entorte.
O Amor não muda com o dia e a hora,
Mas persevera ao limiar da Morte.
E, se se prova que num erro estou,
Nunca fiz versos nem jamais se amou.

Opinião sobre a tradução matrona e sonolenta de Ivo Barroso:
Não sei se em nome de uma formatação a idéia, e mesmo o sentido das palavras devam ser alterados, as modificações são claras e um tanto quanto estranhas, não sei se posso me considerar um expert em Shakespeare, mas o suficiente pra saber que, se ele falasse português, não sacrificaria o conteúdo pela forma. No mais, prefiro palavras simples, nada de rebuscamento, ainda mais depois de ouvir que o vocabulário dos garotos de favela não passa de 20 palavras. Baixel errante… aonde esse cara pensa que vive???