Pará

27 10 2007

“Um bom escritor não possui somente seu próprio espírito, mas também o espírito de seus amigos”

Friedrich Nietzsche

Àquele com que só se pode comparar seu companheirismo ao tamanho do estado-título desta postagem. Você não é como uma tarde de sol em frente a TV, tu não és a glória de Esparta frente ao exército Persa, tu não se compara a imagem de um catecismo pagão, tu sequer se assemelha à Maníquel, então porque? Porque tu és humano, arauto de uma classe cuja dinâmica parece-se com o caminhar dos elétrons… Dante de uma praia só, muda de um navio assombrado, rapaz, tu num veio ao planeta Terra pra deixar barato, apesar do salário! Lutaste com a vaca da Constituição em campos paulistanos, ferveste os códigos em brasa morta, caminhaste firme frente às aulas moribundas! De garçom à médico, de fazendeiro a defensor… Pancada eterna na mente daqueles que te vêem, sonhas ter mais ter mais que um pobre rei de uma pobre terra pobre, mas não só vê que já tem e, muito mais, naquilo que conquistaste sem o poder!

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Amazonas

26 10 2007

“Quem sou eu pra dizer
Tão duro e por tanto tempo tentamos
Podemos sempre viver nossos sonhos?”

Toyshop

Esta postagem conta, mui resumidamente, uma pequena passagem da gigantesca história de uma menina fugida dos confins de Paratins. Essa pequena índia do verão sumiu de sua terra natal, primeiro, pra ganhar a vida como cabeleireira em Rondônia, com seu tio, que, diga-se de passagem, de parente só tinha o sangue. Porque do sangue dela ele sugava um pouco todo dia. Juntado dinheiro, pegou o primeiro avião pra terra prometida, como boa nordestina que não era, veio pro Estado de São Paulo, mais precisamente, pra cidade de Marília, onde, por cartas e telefonemas, conhecera um rapaz que mil promessas lhe fizera. Conhecido o rapaz, feito o que os casais geralmente e invariavelmente fazem, descobriu que o planeta Terra e a própria são piores de qualquer inferno bíblico, o rapaz perdeu o entusiasmo e o respeito. No natal, a pobre índia da terra do boi bumbá viu-se solitária, sem amigos, parentes, mãe, nada… Fez o que não devia (ou devia sim) e com calor humano do filho da nova patroa esguentou suas lágrimas de um verão novo, porém estabanado. Hoje ela faz direito na minha classe, no 5º e último ano, comprou sua própria casa, tem suas próprias coisas. Pena que nunca vai ler essa postagem!