Pode vir quente que eu estou tremëndo!

5 05 2009

Aulas de português geralmente são maçantes (maça de bater, aquela arma, não massa de bolo ou de pão), no entanto, certos professores conseguem prender a atenção dos alunos com certas explicações sobre nossa tão difusa língua. Como você sabe ou pelo menos deve imaginar, o português brasileiro não é igual em todas as regiões do país. Ter uma unificação total da língua em um país tão grande é tarefa sísifica digna de um Hércules erudito do século XXI. E isso é bom, minto, isso é ótimo, essa diversificação cultural ao invés de ser combatida como acontece hoje em dia deveria, na realidade, ser incentivada, explico mais adiante.

O nordeste de nosso país tem uma forma de se utilizar do português muito característica, não só quanto a linguagem oral, mas na escrita também. Enquanto que no sul e sudeste do país os artigos a e o antes da preposição de são sempre utilizados, no nordeste esse tipo de uso é completamente inusual. Exemplifico: Sul e Sudeste -> Vou na casa da Maria; Nordeste -> Vou na casa de Maria. Pode parecer pouca coisa, mas esse tipo de frase consegue ser uma das mais utilizadas em conversas informais e bate-papos. Bom, a coisa não para por aí e, para deixar mais clara essa diversificação, nada melhor do que uma pequeno comentário sobre os sotaques.

A história mostra que, principalmente nas regiões sudeste e sul, a imigração européia (e aqui leia-se espanhóis, italianos, alemães, franceses etc) foi a que teve maior influência nas partes sul da região sudeste e norte do sul. Tanto é assim que, no interior de São Paulo meu o sotaque é ultra-carregado no R, ou seja, uma clara caractéristica da língua inglesa que inluenciou meu o sotaque carregadão no R (foram os ingleses que lotearam boa parte das terras nessa região, Londrina é uma bela prova dessa característica). Já no nordeste a coisa foi diferente, devido aos ciclos que ocorriam no Brasil, a população de lá pouco ou nada foi influenciada por essa imigração européia, ou seja, a população se constituía basicamente de portugueses, negros africanos usurpados de sua terra para se tornarem escravos nas lavouras do Brasil e índios. Ou seja, conclui-se que o português de lá teve sua maior influência dada pelos índios e negros.

E então me aparecem com essa tal de reforma da língua portuguesa, imposta, mal digerida e porcamente explicada. Não sou daqueles que implicam com mudanças, muito menos vai fazer muita diferença na minha vida, nunca usei o malfadado trema quiçá soube pra que servia. Mas o acaso vem a galope, me pego a ler uma crítica do que se disse silenciado, que aponta o naciolismo no surrealismo tupiniquim. E ainda se acha perto de classificar alguma coisa que, com certeza, não faz nem idéia do que é, em essência. Por fim, pelo que entendi, faz uma tradução de Lenin, que isso companheiro?

Em resumo, cansei de perder meu tempo com os mimimi´s dessa mudança, quer falar sobre surrealismo, surpresa, estamos abertos novamente! E tenho dito!





Shakespeare político!

26 04 2008

Uma breve introdução: Curitiba é uma ótima cidade, enfim! Assisto palestras gratuitamente, assisto filmes antigos gratuitamente. Assisti então uma palestra sobre Shakespeare.

Othelo! Othelo foi um general mouro a serviço dos europeus que deu em cima da filha de um senador e… se deu bem, a priori. Depois matou Desdemona e a si mesmo. Othelo não era negro, como querem a maioria das peças, pelo que entendi era mouro e ponto. Apesar da palestra ter sido pautada na narrativa em Othelo, o que mais me chamou a atenção foi um comentário da professora em relação ao poder do teatro naquela época. Quando Shakespeare encenou um dos Henriques (não me recordo qual, perdão!), teve que se explicar muito direitinho para o rei e toda a nobreza inglesa da época. Sim, pois a peça referia-se a um rei destronado! Ou seja: “Shake, vem aqui um minutinho! Como que tu mostra para a população que um rei pode ser destronado? Usou drogas é? Pensas que estamos aqui por mero acaso? Somos a vontade de Deus, exijo explicações gurizinho, imediatamente!”.

Em síntense, a arte ultrapassava as barreiras da arte e se metia onde não era chamada! Cara, isso é impressionante, imaginem um Shakespeare dos dias de hoje! É uma pena que os artistas e intelectuais prefiram fazer propaganda a favor de políticos e demais escória (vide Chico Buarque de Holanda)…

¡Se hay gobierno, yo soy contra!