Yves Tanguy

7 05 2008

Raymond Georges Yves Tanguy, ou simplesmente Yves Tanguy, como ficou conhecido, teve seu primeiro contato com o surrealismo ao se deparar com uma das geniais obras de Giorgio de Chirico. Ficou tão impressionado com o que viu que entedeu que ele também deveria fazer aquilo, pegou os pincéis e pôs a mão na massa. No entanto, não fez aquele sucesso repentino, pra falar a verdade to pra ver algum pintor além do Dalí que teve uma vida cheia de sucessos e glória… Van Gogh nunca ganhou um figo podre pelas pinturas que hoje valem cento e noventa apartamentos onde moro!

Porém, o não-sucesso de Tanguy favoreceu sua criação artística, por não ter um ateliê digno de ser chamado de ateliê, sua produção limitava-se a um quadro por vez, por não haver espaço físico suficiente para alocar mais quadros. Sendo assim, a concentração nesse só quadro o absorvia e o resultado era algo como a Divisibilidade Indefinida.

E pra provar que a falta de dinheiro foi um bom incentivo, Tanguy quando conseguiu uma renda fixa graças a uma encomenda feita por André Breton, produziu muito menos que dê costume. Dá encomenda de 12 quadros, só entregou 8. Isso sem mencionar que essa vida com grana o levou a um estilo de vida nada ortodoxo, ou seja, partiu pra gandaia e ferrou com seu primeiro casamento. Ferrou com o primeiro mas conseguiu o segundo, casou-se com com Kay Sage em 1938 e com ela viveu até o fim de seus dias, nos Estados Unidos da América.

No mais, vale lembrar que sua pintura é de um estilo surrealista único, em seu Dia de Lentidão nada se assemelha a Magritte mas lembra alguns traços de Dalí, na Multiplicação dos Arcos não ultrapassa o imaginário de Miró mas assemelha-se à genialidade de Ernst… Um clássico surrealista, afinal!

Fonte: Wikipedia (A enciclopedia de conteúdo livre)





Shakespeare político!

26 04 2008

Uma breve introdução: Curitiba é uma ótima cidade, enfim! Assisto palestras gratuitamente, assisto filmes antigos gratuitamente. Assisti então uma palestra sobre Shakespeare.

Othelo! Othelo foi um general mouro a serviço dos europeus que deu em cima da filha de um senador e… se deu bem, a priori. Depois matou Desdemona e a si mesmo. Othelo não era negro, como querem a maioria das peças, pelo que entendi era mouro e ponto. Apesar da palestra ter sido pautada na narrativa em Othelo, o que mais me chamou a atenção foi um comentário da professora em relação ao poder do teatro naquela época. Quando Shakespeare encenou um dos Henriques (não me recordo qual, perdão!), teve que se explicar muito direitinho para o rei e toda a nobreza inglesa da época. Sim, pois a peça referia-se a um rei destronado! Ou seja: “Shake, vem aqui um minutinho! Como que tu mostra para a população que um rei pode ser destronado? Usou drogas é? Pensas que estamos aqui por mero acaso? Somos a vontade de Deus, exijo explicações gurizinho, imediatamente!”.

Em síntense, a arte ultrapassava as barreiras da arte e se metia onde não era chamada! Cara, isso é impressionante, imaginem um Shakespeare dos dias de hoje! É uma pena que os artistas e intelectuais prefiram fazer propaganda a favor de políticos e demais escória (vide Chico Buarque de Holanda)…

¡Se hay gobierno, yo soy contra!





Magritte

17 03 2008

MagritteRené François Ghislain Magritte ou simplesmente Magritte, foi um dos surrealistas mais impressionantes que o planeta Terra teve o prazer de dar moradia. Novamente, tal qual fiz como Dalí, Ernst e Miró não farei uma biografia, já o fizeram (salvo engando, Marcel Paquet no livro René Magritte – 1898/1967) . No caso de Magritte, não vou sequer comentar, vou deixá-lo livre para que se apresente. Muito de sua pintura se assemelha a isso: “Nenhum objeto é cristalizado com seu nome assim irrevogavelmente que se não pode encontrar outro que o serve para melhorar”. E para ilustrá-la, nada melhor que uma olhadela na memória.

Talvez o que o tenha tornado famoso até hoje seja seu intrigante cachimbo que não é. Nas suas palavras: “Um intelectual é aquele que ao ouvir a palavra cachimbo pensa em Magritte”. Mas seu trabalho não se resume a isso, porque “A mente ama o desconhecido. Ela ama as imagens de significados ocultos, desde que desconhecemos o significado da própria mente”. E isso é cristalinamente perceptível ao vislumbrarmos os Amantes.

Magritte, não me pergunte porque, gostava dos chapéus-coco, muito presente em diversas telas, tal qual na O filho de um homem (ou The son of a Man, não sei se a tradução está certa), e essa característica tem muito em comum com a personagem de um livro chamado A insustentável leveza do ser (momento pelo qual minha vida passa) escrito pelo autor tcheco Milan Kundera, mas só isso, porque “um objeto nunca serve como função em sua imagem – nem em seu nome”.

No mais, pensar que “Tudo que enxergamos esconde alguma coisa, nós sempre desejamos ver algo que está escondido por aquilo que enxergamos” me remete diretamente a algo como uma cabeça enorme, que vejo toda vez que preciso ir a escritórios burocráticos com pessoas a me pedir documentos para saber quando meu RG foi emitido…

Meus eternos agradecimentos à Mimi que, sem saber, contribuiu enormemente para esse artigozinho.

Esse artigo faz parte de uma idéia originalíssima sobre blogs e jornalismo proposta por Interney ou Edney, ou Ney, sei lá, nessa postagem.





Max Ernst

22 02 2008

Pode-se dizer que Ernst foi um dos primeiros pintores surrealistas propriamente dito. Como fiz com Dalí, não vou escrever uma biografia, isso também já foi feito (o autor é Ulrich Bischoff e o livro, salvo engano, chama-se Max Ernst 1891-1976: além da pintura), vou é comentar o que de mais importante considero na vida de Ernst porque ele fez mais do que viver, judeu de origem alemã (perseguido na 2ª guerra), pensou um mundo das artes diferente e foi o primeiro a propor duas coisas nesse intrigante mundo: parar de fazer as coisas ou como elas são (acadêmicos), ou parar de fazer sempre a mesma coisa (naturezas mortas, flores etc). Com seu O elefante Célebès, a pintura teve um novo marco, retratar ou criar segundo pré-definições estéticas não era mais tão importante, o que entrava em voga era aquilo que o subconsciente retrava. Ernst encarava isso como um não planejamento das imagens, elas simplesmente apareciam no decorrer do seu trabalho.

Tanto era assim que Ernst nunca teve aulas formais de pintura. Suas técnicas não se limitavam a pincelar quadros, ia muito além, criou métodos dos mais variados, dentre os mais conhecidos, os da colagem, fotocolagem, fricções, transferências etc. De posse de tais métodos/técnicas, Ernest foi um dos poucos “pintores” a demonstrar que genialidade e arte não andavam de mãos dadas de jeito nenhum, dizia que uma vez dominada a técnica, o que se pode fazer beira o infinito.

O que mais me chamou (e continua chamando) a atenção em Ernst são duas “pinturas” ímpar, nelas a técnica utilizada é a da transferência. Pelo que entendi, Ernst pegava uma fatia de pão ou mesmo um papel, colocava tinta e espremia na tela… As imagens que brotam são sem-iguais! Dizia ele que tal técnica, no início, é meio complicada e irritante, porque você tem que testar a pressão de várias formas, mas depois de alguma experiência, o resultado é algo como Europa depois da chuva (ou Europe after the rain). Não sei se ele se referiu à deusa Europa ou ao continente, entretanto, explicar quadros surrealistas é a última coisa que pretendo fazer. É claro que a maioria dos quadros famosos não foi feita por meio dessa técninca, um belo exemplo de quadro que causou o maior rebuliço foi o A virgem espanca o menino Jesus vigiada por 3 testemunhas: André Breton, Paul Eluard e o próprio artista. Os motivos são óbvios… Outra característica marcante dos quadros ernstinos de Ernst são que você dificilmente vá notar alguma semelhança intrínseca na forma ou mesmo nos desenhos. A diferença é tanta que se você enfileirar vários quadros dele, dificilmente vai parecer que só uma pessoa pintou de tantas formas.

Bom, Ernst fica por aqui, vale lembrar que surrealistas nunca andam sozinhos, Leonora Carrington, pintora que também será alvo de um comentário do Surrealismo do Acaso (um dia), andou dando uns malhos com nosso surrealista-tema, malhos esses muito mal sucedidos, ambos comeram o pão-que-o-diabo-amassou, não por causa da moral e bons costumes, culpa de Hitler, mais uma vez.