Sátira Sátiros Satyricon

8 05 2008

O LivroChegou as minhas mãos um livrinho, com boa recomendação, capa instigante, autor pomposo, tradutor brilhante (adoro Leminsk)…larguei com uma mão as bênçãos de Yogananda e com a outra fui as letras desta obra-prima romana. Satyricon, escrito à época de Nero (o incendiário de Roma).

As tramóias e o cotidiano seguem em uma linguagem afiada e despudorada com todas as nervuras romanas expostas. A voracidade do Império Romano, a libido ambígua e desenfreada e as misérias do espírito humano ali, viradas do avesso, como uma crítica, feita sob o humor sarcástico que poucos tem o dom de fazer sem cair no escracho.

Praticamente impossível transcrever algum trecho deste livro, mas para ilustrar lá vai: “Enquanto isso, abandonamos as ruas mais movimentadas e só nos movíamos pelas partes mais ermas da cidade. Ao cair da tarde, num bairro afastado, cruzamos com duas mulheres nada feias, cobertas com um véu. Em passos lentos, seguimos as duas até um pequeno templo, onde elas entraram. De lá de dentro, vinha um insólito zumbido, como se fosse de vozes vibrando dentro de uma caverna. Muita curiosidade nos impeliu a entrar no templo, onde vimos todas aquelas mulheres, como bacantes, agitando, na mão direita, grossos bastões em forma de caralho. Não foi possível ver mais: quando notaram nossa presença, soltaram um grande grito, que fez tremer a abóbada do templo, e vieram para cima de nós. Mais rápidos que elas, caímos fora, e voltamos para nosso albergue”.

Como os personagens centrais são três rapazotes metidos a espertos muitas confusões acontecem. Fico pensando na quantidade destes acontecimentos em nossos dias e se teríamos algum Petrônio para narrar suas peripécias. Seria interessante também, talvez, um livro como este sobre a nossa politicagem tão sacana e satírica quanto as bacantes.

f.

Petrônio

Satyricon – tradução de Paulo Leminsk diretamente do latim.

Editora Brasiliense.

Em tempo: Fellini Satyricon o filme – dica da Daniela.

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A metamorfose – Franz Kafka

16 09 2006

Obra, ao meu ver (e de muitos outros também), surrealista do escritor tcheco Franz Kafka autor de O Processo e outros.

Nesse livro, Kafka relata o acontecimento inusitado de Gregor Samsa que, depois de uma noite agitada, desperta com seu corpo transformado em alguma coisa “asquerosa”. Gregor acha, a princípio que aquilo é um sonho. Após algum tempo caí na realidade e se ve transformado num imenso inseto. Não deixa ninguém entrar em seu quarto. Gregor era basicamente o chefe de sua família constituída por seu pai, sua mãe e sua irmã. Quando reparam que Gregor faltara ao serviço começam a insistir para entrarem no seu quarto, desconfiam de alguma doença. Gregor, nesse meio tempo começa a se analisar, sente seu casco, suas novas “patinhas” e fica aturdido com tudo aquilo. A impressão que se tem é que Gregor se transformara numa barata gigante.
Após algum tempo a família consegue arrombar a porta e “vislumbra” o enorme inseto. Todos ficam aturdidos, o pai de Gregor tenta mata-lo com um pedaço de pau mas logo percebem que se trata de Gregor pois o inseto não os trata com hostilidade. Mais tarde, mas ainda no mesmo dia, o chefe de Gregor vai à sua casa tirar satisfações e se depara com Gregor-inseto. Ele se assusta, mas promete esquecer o assunto. Dias depois, todos na casa arranjam empregos e Gregor é alimentado por sua irmã, a única que entra no quarto. É bom lembrar que Gregor não consegue mais comer comida normal, a irmã, o único ente da família que suporta ver Gregor é quem a leva comida estragada para ele, coisas podres, etc. Gregor então, diante de tal situação, começa a sentir um estorvo, um fardo muito grande para a família que, não obstante estarem trabalhando, tiveram que alugar comodos de sua casa para cobrir os gastos. Após um tempo, Gregor tenta sair de sua alcova mas sofre um acidente caí e, depois de agonizar, morre.
A empregada acha o cadáver, mostra aos familiares, que aparentam chorar. Eles se livram do cadáver, vendem a casa, compra um lugar menor e, por incrível que pareça, decidem, logo após tudo isso, casar sua filha

De novo repito, isso é só um resuminhozinho, que quiser saber circunstâncias e pormenores que leiam o livro, que por sinal é uma obra fantástica.





Guerra e Paz – Léon Tolstói

15 09 2006

Quando não tiver nada em mente pra escrever vou fazer resuminhos dos livros que eu li, a iniciar com o mais recente: Guerra e Paz de Léon Tolstói.

Nessa narrativa nosso amigo Tolstói constrói (rimou), sob o ponto de vista russo da época, a guerra que Napoleão infringiu para o mundo. A história tem, como cenário inicial, a cidade de São Petersburgo. Nela a nobreza russa promove seus bailes e festas e comentam sobre a guerra iminente. Algumas famílias tem seu caráter exposto, casamentos são arranjados. Toda a intriga da fútil da nobreza é exposta até que os homens partem para as primeiras batalhas. A Rússia, como se sabe, com um reduzido número de homens e liderada pelo Generalíssimo Kutusow, sofre suas primeiras derrotas em solo austríaco. A Áustria é conquistada e o Czar Alexandre após algum tempo, frente a frente com Napoleão, declaram encerradas as hostilidades.
A vida retoma seu rumo até que Napoleão começa a invasão da Rússia, as cidades e estradas sucumbem até que Napoleão é derrotado após a tomada de Moscou. A vida dos nobres continua com suas frivolidades e casamentos e todos terminam felizes.

E que fique claro que isso é apenas um resumo do resumo em, nem comentei sobre as famílias, sobre Pedro, sobre André, Vassili et cetera.