Amazonas

26 10 2007

“Quem sou eu pra dizer
Tão duro e por tanto tempo tentamos
Podemos sempre viver nossos sonhos?”

Toyshop

Esta postagem conta, mui resumidamente, uma pequena passagem da gigantesca história de uma menina fugida dos confins de Paratins. Essa pequena índia do verão sumiu de sua terra natal, primeiro, pra ganhar a vida como cabeleireira em Rondônia, com seu tio, que, diga-se de passagem, de parente só tinha o sangue. Porque do sangue dela ele sugava um pouco todo dia. Juntado dinheiro, pegou o primeiro avião pra terra prometida, como boa nordestina que não era, veio pro Estado de São Paulo, mais precisamente, pra cidade de Marília, onde, por cartas e telefonemas, conhecera um rapaz que mil promessas lhe fizera. Conhecido o rapaz, feito o que os casais geralmente e invariavelmente fazem, descobriu que o planeta Terra e a própria são piores de qualquer inferno bíblico, o rapaz perdeu o entusiasmo e o respeito. No natal, a pobre índia da terra do boi bumbá viu-se solitária, sem amigos, parentes, mãe, nada… Fez o que não devia (ou devia sim) e com calor humano do filho da nova patroa esguentou suas lágrimas de um verão novo, porém estabanado. Hoje ela faz direito na minha classe, no 5º e último ano, comprou sua própria casa, tem suas próprias coisas. Pena que nunca vai ler essa postagem!

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