De volta ao ventos atlânticos

23 03 2006

Ao altar de Maria Madalena, insignificantes escravos do arroz, mandem queimar os filhos da reluzente noite
Estirpem o sangue dos jocosos bandidos, queimem suas orelhas e comam de seus sapatos
A terra que era molhada, agora ficou úmida e gelada, e sobram os restos de uma hiena inconformada
Bixo estranho, muda de sexo, muda de ramo. Muda de noite, muda de dia, se esguia
Junta a cera, cobre o mel, saí andando e fala do céu
Fala da guerra, fala do mar, falado do mundo, fala da arte do amar
Ama a ponte, ama o rio, faz amor e diz: “psiu!”
Chega na parede, já é dia, o sol clareia a lua que some feito uma gazela contra uma coruja
A coruja grita e saí seu sangue, amarelo como o mar, reluzente como a árvore
Faz barulho, tem pirâmide, tem livros, tem estante
Tem rico e tem furor, tem pobre e não tem amor
Há ignorância, há desamor, mas só uma bruxa, pode com o ardor
E assim fica, sem rima, sem concordância, sem romantismo, sem parnasianismo
Sem latim e sem Pasquim, esse poema chega ao fim.

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