Hoje é dia de blogagem coletiva e o Surrealismo do Acaso, mais uma vez, deixa de lado suas efemérides para adentrar um tema de extrema relevância na sociedade hodierna: “a mulher brasileira”. A idéia da blogagem é da Lys, uma guria sensacional, dona do blog Lys, no labirinto de seu universo desconexo, e de sua amiga Meiroca que, infelizmente, não tive a oportunidade de conhecer. A importância e necessidade do tema é indiscutível, mas se você pensa que não, de uma lidinha nesse artigo pra começar a ter uma idéia… Como dia 8 de março além de ser o dia da mulher é também o dia do baile da minha formatura e vérspera da 2ª fase do exame da OAB, esse artigo foi programado, qualquer erro, culpem o WordPress!
Nessa senda, nada mais justo do que comentar nesse dia a vida-obra de uma mulher que bateu de frente com os anseios sociais de sua época, nossa Musa Antropofágica: Patrícia Rehder Galvão ou simplesmente Pagu, como ficou conhecida. Pagu não era mesmo o modelo conservador de mulher que, em sua época, era imposto às garotas.
“Nada mais sou que um canal
Seria verde se fosse o caso
Mas estão mortas todas as esperanças
Sou um canal
Sabem vocês o que é ser um canal?
Apenas um canal?”
Com o cabelo bem curto, saí para as ruas fumando e exclamando palavrões, coisa que, à época, era tido como, no mínimo, heterodoxo… Bem nova começa a publicar seus textos sob o pseudônimo Patsy no Brás Jornal.
“Evidentemente um canal tem as suas nervuras
As suas nebulosidades
As suas algas
Nereidazinhas verdes, às vezes amarelas
Mas por favor
Não pensem que estou pretendendo falar
Em bandeiras
Isso não”
Influenciada por Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, Pagu começa a se tornar o baluarte da 2ª fase do movimento modernista. No entanto, com a crise capitalista de 29, a filosofia política começa a se tornar alguma coisa a se levada em consideração. Pagu torna-se o exemplo da mulher “moderna”, engajada no movimento proletário e antropofágico, considerar Pagu como uma precursora das mulheres brasileiras de hoje, não é, nem de longe, equivocado. Sua influência, que se estende até hoje, não foi tanto por suas obras que, em sua maioria, artigos (tal qual esse) publicados em jornais e periódicos políticos, não podem traduzir tudo o que sua existência pode proporcionar. Sua “marca” foi a de ter tido e sido o espírito livre que orientou e determinou os caminhos que, até então, poucas mulheres se aventuraram em traçar.
“Gosto de bandeiras alastradas ao vento
Bandeiras de navio
As ruas são as mesmas.
O asfalto com os mesmos buracos,
Os inferninhos acesos,
O que está acontecendo?
É verdade que está ventando noroeste,
Há garotos nos bares
Há, não sei mais o que há.
Digamos que seja a lua nova
Que seja esta plantinha voacejando na minha frente.
Lembranças dos meus amigos que morreram
Lembranças de todas as coisas ocorridas
Há coisas no ar…
Digamos que seja a lua nova
Iluminando o canal
Seria verde se fosse o caso
Mas estão mortas todas as esperanças
Sou um canal.”
Para saber mais sobre nossa musa antropofágica, acesse o site!
Os trechos da poesia foram extraídos do poema Canal, de autoria de Patrícia Rehder Galvão.
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