Crível Pensamento

30 07 2009

O soberbo e sempre soberano pulsar do pensamento

Pois em mim anguloso e nem sempre aleatório movimento

porém,

acima de tudo, inconfesso no desejo de migrar para além

de tudo o que é belo,

e sublime,

e presente no peito amado.

Crê em minhas palavras mas não credite os sentimentos.

f.





Instante

5 06 2008

despencando do reverso vazio as abóboras sublimam o fluxo vão da fome antagônica

pencas perdidas do horizonte de eventos em salpicos flácidos de gota tangente

tudo e cor e soslaio crescente em fluídas repartições concêntricas

em espirais exclusas de dor

só formas





Citei-te

27 05 2008

Provoco-te, pois é estilo
Finges vermelha, pois é costume
Importuno-te, pois sou intranqüilo
Se foges, não és imune?

Sumida, anuncio-te em rimas
Apenas para atentá-la
Nenhuma palavra lastima
Só um aperto de mãos procurava

Inofensivo, ataco-te em despropósito
Apenas para parodiar
Não te ofendas emudecida
Pois não aprenderei “citar”…

Lês, muda e respondes a altura!
Num calibre de alta inteligência
Usas o que achas da minha figura
E crias a própria ciência

Recrias a história contada
contei a historia criada
Mas aqui está a minha rendição
Assinei pergaminhos digitais em néon





Surresimbolismo de que?

22 05 2008

psicótico tempestivo analítico

temporal aflitivoPossessivotemerário apelativo

Primitivo Tiranoapreensivo

punitivo transfiguradoAbortivoputativo transitivo amargurado

Em processo retrogradativo

de incubencia cerebral,

uma nevralgia, arrepio na gengiva

intuição decodificada pelo estado neuro-opcional

de cegueira surda da apostasia





Femalê

20 05 2008

Trocamos figurinhas
Compartilhamos prazeres
Multipliquei tuas alegrias
Ouvi o som da tua alma
Dancei o teu bolero
Elogiei-te, sincero
Acariciei-te o ego
Dei-te remédio

- Que tédio!

Então fui descartado…





Ensaio de poesia

16 05 2008

Seres

metafícos sentimentos

do mar revolto a sereia grita

a aguda dor do náufrago resgatado

____

Surpreendente seu modo de ser

traumático

expondo os segredos do banheiro

em cartões deixados no chão

(v1)

_____

Estranho é pensar em você

com toda crueza do ser

que se desmancha em mundanismos

e lembra que te amo com pequenas lembranças

em gotas de amor

espalhadas pelo chão privado

(v2)

______

Delicadezas de fora

percussão interior

esse sou eu

feio e decrépito

espalhadamente atordoado em cachos

desfeitos

fingidos

roubando restos de um jantar perdido

epistolando minha vida

vou e só

fico

ali sem nada mais a resgatar

se não um montículo de vermes esgueirados de entranhas alheias

pensamentos… sobras de pensamentos.

f.





Blogagem Coletiva – Abre Aspas

28 04 2008

Devido aos inúmeros reparos no Surrealismo do Acaso, minha participação vai ter que se limitar a algumas poucas poesias… Mais informações e demais participantes podem ser encontrados no Acqua! As postagens estão bem interessantes, vale a pena conferir!

Cabeça de fauno
Autor: Arthur Rimbaud

Na folhagem, estojo verde de ouro manchado
Na folhagem incerta e florida
De esplêndidas flores onde o beijo dorme,
Vivo e rasgado o precioso bordado,

    Um fauno assustado mostra os seus olhos
    E morde as flores vermelhas com seus dentes brancos.
    Moreno e sangrento como um vinho velho
    O seu lábio estoura em risos sob os galhos.

      E quando fugiu – feito um esquilo -
      O seu riso treme ainda em cada folha,
      E vê-se amedrontado por um grilo
      O Beijo de ouro do Bosque, que se recolhe.

          A uma dama crioula
          Autor: Charles Baudelaire

          No país perfumado, a um sol de fogo e pena,
          Conheci sob dossel de árvores purpurado,
          E de palmas de onde o ócio ao nosso olhar acena,
          Uma dama crioula de encanto ignorado.

            De tez pálida e quente, a mágica morena
            Tem no seu colo um ar, nobremente requintado;
            Vai como a caçadora e é imponente e serena,
            Seu sorriso é tranquilo e seu olhar ousado.

              E se ao país da glória, Senhora, fôsseis visitar,
              Junto ao Sena ou junto ao Loire,
              Digna de ornar mansão de antigos minuetos.

                Farias, ao abrigo de sombras secretas,
                Brotarem mil canções no coração dos poetas
                Feitos por teu olhar mais servos que os teus pretos.

                    Sensação
                    Autor: Arthur Rimbaud

                    Pelas noites azuis de verão, irei em atalhos sob a lua,
                    Picotado pelos trigos, pisar a grama pequena:
                    Sonhador, sentirei nos pés o frescor que acena.
                    Deixarei o vento banhar minha cabeça nua.

                      Não falarei, não pensarei em nada sequer:
                      Mas me subirá na alma o amor soberano,
                      E irei longe, bem longe, feito um cigano,
                      Pela Natureza – feliz como se estivesse com uma mulher.

                          Alquimia da dor
                          Autor: Charles Baudelaire

                          Um te ilumina com seu ardor,
                          Natureza, e outro faz-te obscura!
                          O que diz a um: Sepultura!
                          Diz a outro: Vida e esplendor!

                            Hermes e ignoto que me assistes
                            E que sempre me intimidas,
                            Tu me fazes igual a Midas,
                            Triste entre os alquimistas tristes;

                              Por ti eu transformo o outro em ferro
                              Do paraíso faço inferno;
                              E, pela mortalha dos céus

                                Descubro um cadáver amado,
                                E no celeste descampado
                                Construo grandes mausoléus.

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