Surrealismo do acaso

Archive for the ‘Poesias surrealistas’ Category

Poesia surrealista #1 – Hans Arp

Publicado por: fassicolo em: 06/06/2008

O PAI, A MÃE, O FILHO, A FILHA
O pai se pendeu
em lugar da pêndula.
A mãe está muda.
A filha está muda.
O filho está mudo.
Todos os três seguem
O tiquetaque do pai.
A mãe é de ar.
O pai voa através da mãe.
O filho é um dos corvos
da praça de São Marcos de Veneza.
A filha é um pombo-correio.
A filha é [...]

Reflexo real, conclusão surreal

Publicado por: Ítalo em: 06/05/2008

O espelho refletiu-me
Com um reflexo direto
Um tanto indiscreto
Um tanto familiar

Nenhuma conclusão
Só certeza singular
de imagem invertida
de maneira regular

A imagem é real
E se afasta da finalidade
de arte!
Não há o encanto mágico
Não há efeito surreal…

As mãos não são duas bocas
Que me comem a cintura
E que acham que é um presunto
E que acham que é gordura!

Onde está o entusiasmo [...]

Chaiquispier anarquista

Publicado por: meyviu em: 20/04/2008

Que o casamento de duas almas não seja posto a prova pelo mar bravo de nossos tempos. Porque o amor de hoje é tão rápido quanto àquela estrela-guia que sumiu sem mais nem menos, sem deixar vestígios pros que ainda pensam ser amantes eternos… Porque se me achas um mentiroso por escrever o que escrevo, [...]

Fora do ar

Publicado por: Ítalo em: 29/02/2008

Naveguei sobre o mar dos sonhos
embora possua esclerose lateral amiotrófica
O meu barco virou
contra a ditadura da razão
Aprendi a nadar
Virei um astro de TV
Aprendi a voar
até uma vila no Estado de Sergipe
Como é bom estar no ar
acho que vi um pássaro originário da Australásia!
Como é bom estar fora do ar…

Chuva e Noite

Publicado por: meyviu em: 14/01/2008

Desesperadamente pedi socorro
Do meu jeito
Tu me destes um prato frio de ironia
E os modos de uma serpente em agonia
Pelos meus caminhos
Implorei teu amparo
Tu, sutil como uma baleia azul
Esmagou meus restos de orgulho como uvas e vinho (vinagre)
Me arrastei por um abraço teu
Da minha maneira, direito do meu eu (lírico?)
E o que consegui não se compara
Às [...]

Esposa do Ano Novo

Publicado por: meyviu em: 12/01/2008

“…porque o fogo é único amigo do demônio”
Don McLean
Catarse renomada de uma anciã anoréxica
Bucólicos subúrbios imergidos na escuridão fria duma manhã de inverno
Sublimação infantil de uma manobra tática
Suspiros doces molhados na alma larga duma canção de amor
Ardor tranquilo de uma criança na guerra
Gritos salgados sugados na comemoração de uma batalha perdida
O calor mágico que irrigava [...]

Carpaccio

Publicado por: meyviu em: 11/01/2008

Caramujos secos cerceiam a individualidade contida
Arame farpado
Ramificações centradas num objetivo principal
Colegial de biquíni
Interessadas unicamente num princípio coletivo
Caravela de Cristóvão
Sexo como forma única de redenção
Canudos e revolução
Tergiversar constantemente para as coisas simples
Caminhos traçados
Interagir feito gato com a caça entorpecida
Carne seca
Amar como amava o pescador
Caramelo de padaria
Navegar como navega o silêncio nos dias de saudade
Cristão
Encruzilhada!

Poesia anarco-fanatista

Publicado por: meyviu em: 21/12/2007

“Seu amor me fez
livre como uma canção, que se canta eternamente…”
Carpenters
Nesta noitezinha
Quero sujar-me com o prazer alheio
Num observatório chinês antigo
Às margens de um rio poluído
Nesta noitezinha
Quero amar suas entranhas nojentas
Num ritual indígena da idade média
À beira duma lagoa calma e discreta
Nesta noitezinha
Quero ouvir o som dos teus sonhos
Numa caverna
À três quadras da tua casa…

Boa noite

Publicado por: meyviu em: 06/12/2007

Que a chuva dessa noite possa fluir
Fraca entre a escuridão dos meus pensamentos
Quero um sonho pobre e sem espírito
Madrugada de faz de conta de um conto de fadas
A chuva ardida na minha nuca
Me faz lembrar dos tempos em que o tempo
Não era lento pra pensar
Janela aberta no frio do verão paulista
Perdão guria, pela calma da [...]

Poesia conjunta

Publicado por: meyviu em: 04/12/2007

Dentro das estruturas moleculares
Do diamante negro do motorista do ônibus
Surge, ao longe e alhures
O som de um avestruz
A energia tétrica de meu tórax
Converte-se em luz calma
Do meu já esquecido clímax
Não às escadas que não sabem ser leves
Não ao cadafalso da viagem eterna
Não à bactéria vencida pelo antibiótico vencido
Porque fraco é aquilo que se despe e [...]


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