Yves Tanguy

7 05 2008

Raymond Georges Yves Tanguy, ou simplesmente Yves Tanguy, como ficou conhecido, teve seu primeiro contato com o surrealismo ao se deparar com uma das geniais obras de Giorgio de Chirico. Ficou tão impressionado com o que viu que entedeu que ele também deveria fazer aquilo, pegou os pincéis e pôs a mão na massa. No entanto, não fez aquele sucesso repentino, pra falar a verdade to pra ver algum pintor além do Dalí que teve uma vida cheia de sucessos e glória… Van Gogh nunca ganhou um figo podre pelas pinturas que hoje valem cento e noventa apartamentos onde moro!

Porém, o não-sucesso de Tanguy favoreceu sua criação artística, por não ter um ateliê digno de ser chamado de ateliê, sua produção limitava-se a um quadro por vez, por não haver espaço físico suficiente para alocar mais quadros. Sendo assim, a concentração nesse só quadro o absorvia e o resultado era algo como a Divisibilidade Indefinida.

E pra provar que a falta de dinheiro foi um bom incentivo, Tanguy quando conseguiu uma renda fixa graças a uma encomenda feita por André Breton, produziu muito menos que dê costume. Dá encomenda de 12 quadros, só entregou 8. Isso sem mencionar que essa vida com grana o levou a um estilo de vida nada ortodoxo, ou seja, partiu pra gandaia e ferrou com seu primeiro casamento. Ferrou com o primeiro mas conseguiu o segundo, casou-se com com Kay Sage em 1938 e com ela viveu até o fim de seus dias, nos Estados Unidos da América.

No mais, vale lembrar que sua pintura é de um estilo surrealista único, em seu Dia de Lentidão nada se assemelha a Magritte mas lembra alguns traços de Dalí, na Multiplicação dos Arcos não ultrapassa o imaginário de Miró mas assemelha-se à genialidade de Ernst… Um clássico surrealista, afinal!

Fonte: Wikipedia (A enciclopedia de conteúdo livre)





Gustav Klimt

22 03 2008

Gustav Klint não era um pintor do surrealismo. Mas merece ter um breve comentário aqui no Surrealismo do Acaso. Por que então esse maluco vai escrever sobre ele, você se pergunta. Porque esse autor que vos escreve está de mudança para Curitiba, terra natal de Ewaldo Luiz M. Mehl, alguém que nasceu dia 29 de fevereiro de 1956 e tem muito poucos anos de vida… Ou seja, a casa está bagunçada e estou com pouquíssimoGustav Klimt - Danae tempo para escrever.

Klimt era um sujeito que adorava usar uma túnica, que nasceu e viveu durante a monarquia austro-húngara dos Habsburgos (wow), ou seja, Viena dos séculos XIX e XX. Sua arte foi bem peculiar, Klimt retratou o nú de forma a demonstrar mais do que simplesmente o corpo da mulher ou seu sexo, a paixão e o amor são sentidos na ponta da língua quando se vislumbra uma de suas pinturas. Também fica claro que sua adoração pelas mulheres ruivas deixou marcas através do tempo…

Seria errôneo resumir seu trabalho em acadêmico ou clássico, sua pintura transcendeu esse tipo de classificação. Um simples retrato de uma aristocrata vienense qualquer, saía algo como o retrato de Adele Bloch-Bauer I, ou seja, o cara foi um gênio com G maiúsculo!Gustav Kilmt - Adele Bloch-Bauer I

Deve ser uma coisa muito maneira ser retratado dessa forma… No entanto, o desenho de Klint parece ser algo incomparável, as formas, as linhas, a palidez são características muito marcantes em seus quadros.

No mais, Klimt é algo bom para os olhos e ruim para o bolso, suas obras são avaliadas em milhões de unidades monetárias, porém, caso sua fome pela arte seja implacável, grande parte de seus quadros, incluindo a Adele aí ao lado, pode ser vista nos diversos museus de Viena, ou seja, seu bolso te agradecerá!?!





Magritte

17 03 2008

MagritteRené François Ghislain Magritte ou simplesmente Magritte, foi um dos surrealistas mais impressionantes que o planeta Terra teve o prazer de dar moradia. Novamente, tal qual fiz como Dalí, Ernst e Miró não farei uma biografia, já o fizeram (salvo engando, Marcel Paquet no livro René Magritte – 1898/1967) . No caso de Magritte, não vou sequer comentar, vou deixá-lo livre para que se apresente. Muito de sua pintura se assemelha a isso: “Nenhum objeto é cristalizado com seu nome assim irrevogavelmente que se não pode encontrar outro que o serve para melhorar”. E para ilustrá-la, nada melhor que uma olhadela na memória.

Talvez o que o tenha tornado famoso até hoje seja seu intrigante cachimbo que não é. Nas suas palavras: “Um intelectual é aquele que ao ouvir a palavra cachimbo pensa em Magritte”. Mas seu trabalho não se resume a isso, porque “A mente ama o desconhecido. Ela ama as imagens de significados ocultos, desde que desconhecemos o significado da própria mente”. E isso é cristalinamente perceptível ao vislumbrarmos os Amantes.

Magritte, não me pergunte porque, gostava dos chapéus-coco, muito presente em diversas telas, tal qual na O filho de um homem (ou The son of a Man, não sei se a tradução está certa), e essa característica tem muito em comum com a personagem de um livro chamado A insustentável leveza do ser (momento pelo qual minha vida passa) escrito pelo autor tcheco Milan Kundera, mas só isso, porque “um objeto nunca serve como função em sua imagem – nem em seu nome”.

No mais, pensar que “Tudo que enxergamos esconde alguma coisa, nós sempre desejamos ver algo que está escondido por aquilo que enxergamos” me remete diretamente a algo como uma cabeça enorme, que vejo toda vez que preciso ir a escritórios burocráticos com pessoas a me pedir documentos para saber quando meu RG foi emitido…

Meus eternos agradecimentos à Mimi que, sem saber, contribuiu enormemente para esse artigozinho.

Esse artigo faz parte de uma idéia originalíssima sobre blogs e jornalismo proposta por Interney ou Edney, ou Ney, sei lá, nessa postagem.





Joan Miró

29 02 2008

O interessante da arte surrealista é que, apesar de ter “nascido” na França, têm seus maiores expoentes espalhados pela Europa. Joan Miró i Ferrà é um desses, nascido na Espanha, sua arte integra um seleto rol de artistas consagrados por ela. Suas obras, num primeiro olhar, são as que melhor se encaixam na idéia do total desapego aos pré-conceitos estéticos produzidos e consagrados até então. Como eu acho resumos biográficos uma péssima opção de postagem (isso porque se você quiser se aprofundar nos detalhes da vida de Miró, se não me engano, a UNESCO fez uma brochura com biografia e algumas obras) vou fazer meu comentário e apontar algumas das principais obras desse imprescindível artista do surreal.Miró

Não raro, se você mostar uma pintura de Miró a qualquer pessoa, ela dirá: “Mas até eu faço esses rabiscos! Meu filho, de 23 dias, pinta melhor”. Ledo engano! A sutileza de uma arte automata está justamente em descobrir o que aquilo te faz sentir, as pinturas de Miró não foram feitas para enfeitar paredes ou “combinar com o sofá” como diria o rei da Pop-art, experimente Números e constelações em amor com uma mulher que com certeza você vai entender do que estou falando.

É claro que suas pinturas também tem um certa diversificação, não raro, além de representar sensações, Miró optava pelo lugar certo do surrealismo, os cenários oníricos e as criações metafóricas, um belo exemplo que conjuga essas duas expressões é o Diálogo de Insetos e o Dançarinos II.

Por fim, vale lembrar que Miró fez muito mais do que pintar. Como sua relação com a vanguarda surrealista apesar de amistosa, não era grudada, a liberdade de seu trabalho tomou grandes proporções. Miró chegou a fazer pinturas em vidro, ilustrações para revistas e esculturas, prova disso está em Barcelona e Madri onde duas de suas esculturas podem ser encontradas (Mulher e Pássaro e Pedaço de merda).

Curiosidade: A Unesco, penso eu, tem certa predileção pelas obras miroínas de Miró, não obstante terem editado um livro de bolso sobre ele, no seu prédio em Paris, podem ser encontradas duas obras do artista, a saber: A parede da Lua e a Parede do Sol. Muito interessantes, confira!





Max Ernst

22 02 2008

Pode-se dizer que Ernst foi um dos primeiros pintores surrealistas propriamente dito. Como fiz com Dalí, não vou escrever uma biografia, isso também já foi feito (o autor é Ulrich Bischoff e o livro, salvo engano, chama-se Max Ernst 1891-1976: além da pintura), vou é comentar o que de mais importante considero na vida de Ernst porque ele fez mais do que viver, judeu de origem alemã (perseguido na 2ª guerra), pensou um mundo das artes diferente e foi o primeiro a propor duas coisas nesse intrigante mundo: parar de fazer as coisas ou como elas são (acadêmicos), ou parar de fazer sempre a mesma coisa (naturezas mortas, flores etc). Com seu O elefante Célebès, a pintura teve um novo marco, retratar ou criar segundo pré-definições estéticas não era mais tão importante, o que entrava em voga era aquilo que o subconsciente retrava. Ernst encarava isso como um não planejamento das imagens, elas simplesmente apareciam no decorrer do seu trabalho.

Tanto era assim que Ernst nunca teve aulas formais de pintura. Suas técnicas não se limitavam a pincelar quadros, ia muito além, criou métodos dos mais variados, dentre os mais conhecidos, os da colagem, fotocolagem, fricções, transferências etc. De posse de tais métodos/técnicas, Ernest foi um dos poucos “pintores” a demonstrar que genialidade e arte não andavam de mãos dadas de jeito nenhum, dizia que uma vez dominada a técnica, o que se pode fazer beira o infinito.

O que mais me chamou (e continua chamando) a atenção em Ernst são duas “pinturas” ímpar, nelas a técnica utilizada é a da transferência. Pelo que entendi, Ernst pegava uma fatia de pão ou mesmo um papel, colocava tinta e espremia na tela… As imagens que brotam são sem-iguais! Dizia ele que tal técnica, no início, é meio complicada e irritante, porque você tem que testar a pressão de várias formas, mas depois de alguma experiência, o resultado é algo como Europa depois da chuva (ou Europe after the rain). Não sei se ele se referiu à deusa Europa ou ao continente, entretanto, explicar quadros surrealistas é a última coisa que pretendo fazer. É claro que a maioria dos quadros famosos não foi feita por meio dessa técninca, um belo exemplo de quadro que causou o maior rebuliço foi o A virgem espanca o menino Jesus vigiada por 3 testemunhas: André Breton, Paul Eluard e o próprio artista. Os motivos são óbvios… Outra característica marcante dos quadros ernstinos de Ernst são que você dificilmente vá notar alguma semelhança intrínseca na forma ou mesmo nos desenhos. A diferença é tanta que se você enfileirar vários quadros dele, dificilmente vai parecer que só uma pessoa pintou de tantas formas.

Bom, Ernst fica por aqui, vale lembrar que surrealistas nunca andam sozinhos, Leonora Carrington, pintora que também será alvo de um comentário do Surrealismo do Acaso (um dia), andou dando uns malhos com nosso surrealista-tema, malhos esses muito mal sucedidos, ambos comeram o pão-que-o-diabo-amassou, não por causa da moral e bons costumes, culpa de Hitler, mais uma vez.





Salvador Dalí

20 02 2008

Salvador Dalí foi um cara bacana, muito engenhoso e espertalhão, um dos acadêmicos mais brilhantes que já tive a oportunidade de ver as obras (numa revista, é claro). Não vou escrever uma biografia dele, isso já fizeram (“Dalí, a Obra e o Homem” de Robert Descharnes) só vou apontar alguns fatos e algumas obras de maior relevância no movimento surrealista da época. Eu ainda não encontrei os quadros acadêmicos para colocar aqui, mas se você tiver a oportunidade, não perca, são pinturas que beiram a perfeição. E aí mora o problema de Dalí, ele se intitulava a própria manifestação do surrealismo na Terra, dizia (tal qual o Rei Sol): “O surrealismo sou eu”. Dalí foi, salvo engano, o único surrealista que se propagandeava, ou seja, fazia um rebuliço para ser reconhecido. Bom, ele conseguiu, por isso até hoje é um dos poucos surrealistas conhecidos pela maioria das pessoas. Suas aparições em programas de TV norte-americano lhe renderam a imagem de surrealista mór, não porque o era (e, convenha comigo, a vanguarda surrealista jamais imporia hierarquismos às obras) mas pelo seu insistente jogo de cintura em se auto-promover. Pra você ter uma idéia, aquele perfume em forma de boca foi invenção dele e, se não me engano, a essência também foi escolha dele.

A vanguarda surrealista não era muito fã de Dalí, mas tinham que admitir sua genialidade. Entretanto, a estética proposta em seus quadros, segundo a vanguarda, fugia do que consideravam surrealismo, e, como essa vanguarda mal ganhava pra se sustentar, acho meio suspeita a opinião em vista do grande sucesso do “companheiro”. Bom, eu não vou “explicar” os quadros surrealistas, principalmente os Dalís, a interpretação de pinturas é deveras racional demais ao meu ver e isso atrapalha aquilo que cada um procura no que vê, portanto indico alguns mais interessantes: Persistência da Memória, Faces da Guerra, O grande masturbador e A girafa em chamas. Reparem nas formigas, elas quase sempre aparecem nos quadros dele…

Agora um final interessante, uma histórinha. Bom, antes um breve aparte histórico. Dalí foi casado e, apesar das inúmeras traições de ambos, sempre foi casado, sua esposa chamava-se Helena Diakonova, mas era conhecida como Gala. É sabido que ambos tinham um coelho, e para onde iam, levavam o tal coelho. Certa feita, de mudança para um apartamento, não conseguiam resolver o que fazer com o coelho, pois não poderiam deixá-lo num apartamento em meio a tintas e tudo mais. Então, Gala, numa brilhante dedução, tomou uma decisão, fez um ensopado com o coelho mas não contou nada a seu marido. Após o jantar, Dalí sentindo a falta do bichinho perguntou: “Cadê o coelho?”. Gala respondeu: “Está com você!”. Realmente estava, nas entranhas e agora conseguiriam levar o coitado aonde quer que fossem!

Quem quiser saber mais, o site da Fundação Gala-Salvador Dalí tem bem mais informações além de ser específico em Dalí.








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