Arquivo para a categoria 'Contos'

Conto Surreal#2

Um espetáculo ocorria dentro de um apartamento na zona rural de Goiás. Entrei pela janela, como mandava a tradição dos orientais ali presentes.
Uma explosão de som emudecia as bocas fechadas pelo ar condicionado que, de tão forte, fazia com que o assado de porco, recém saído do forno, ficasse resfriado.
Neste momento procurei misturar-me aos contadores de moedas do sofá da esquerda, mas não fui bem sucedido. Ao me aproximar, acabei derrubando alguns centavos pela fresta do sofá.
Afastei-me com medo daqueles olhares e enfiei-me dentro da geladeira. Lá dentro, ofereceram-me pudim de leite condensado. Uma mulher de cabelos longos ofertou um pedaço em cima da tampa da margarina.
Após agradece-la, percebi que batiam na porta da geladeira. Abriram-na. Saí nesta oportunidade e fui para cozinha.
Algumas mulheres gordas, comandadas por um jovem cozinheiro faziam uma prece. Sentados em circulo e de mãos dadas, falavam sobre as pirâmides do Egito, enquanto uma baiana japonesa benzia-os com o shoyo.
Tentei iluminar a situação com uma vela, mas fui proibido de ascende-la, pois o ar já estava rarefeito.
Um homem de aparência oriental me disse que o oxigênio do apartamento era contado na medida exata para os habitantes presentes, e que era a sua função aumenta-lo ou diminuí-lo, de acordo com o numero de pessoas.
Tomou-me a vela das mãos e apontou-me o quarto de maneira efusiva.
Ao adentrar-me no recinto, topei com um caixão e pessoas vestidas de roupas escuras com um olhar melancólico. No entanto, em suas cabeças, um chapéu feito de pele e lã de carneiro aparentemente contrastavam com a situação.
Isto pois dentro do caixão um carneiro jazia.

Um Conto Surrealista

As cordas daquele instrumento maldito fizeram-me desfrutar de um desejo carnal saliente. Um deja-vú fez-me lembrar da crosta terrestre do meu bairro. Corri em direção a ele, com uma moto-a-vela, emprestada do capitão da polícia. O som do martelo de vento disparou-me às minhas costas como se fosse uma caneca de chá.
Algo escorreu-me às pernas.
Um energético de frutas vermelhas fez-me acordar do tombo. Nada fazia muito sentido naquela noite ensolarada e fria. Os patos faziam cesta a minha volta e aquele som ainda me excitava. Como poderia me satisfazer?
Apanhei um bocado de lenha e construí uma estatua do que poderia estar pensando. Mas logo que ficou pronta, senti um frio na espinha e ateei fogo. Aquilo ficou indemonstrável e indecente! Esquentei-me com a fogueira apagada pelo sol, que refletia na água, respingando nas margens daquele rio, que, com o tempo, chegou a secá-lo completamente.
Um vulto contou-me aos sussurros, da periculosidade com daquele local. Contou-me uma história de pessoas que morreram ali, pois lutavam e se matavam por algum pedaço de pano simbólico.
Satisfeito com o sermão, continuei buscando satisfazer-me. A medida que corria, acompanhado pelos patos, percebi que estava descalço. Agradeci (acho que aos patos) por isto, pois meus pés desnudos fizeram-me sentir um alçapão no asfalto da floresta do rio seco.
Desci por uma imensa escada, que me levaram a um estabelecimento comercial de velas para navios antigos.
O atendente logo veio maldizer o tempo, pois, segundo ele, não chovia há algum tempo.
Perguntei-lhe daquele som que ouvira e que buscava com empenho, mas ele ruborizou a face e me ofereceu um café.
Concordamos, naquele momento, em ler o jornal: “Ouro reabilita droga anti-HIV em teste”
“Inglaterra poderá fazer vinho “francês” em 2080´, diz estudo”.
Após as conclusões necessárias, voltei ao bairro movido por aquele deja-vú para tentar achar outra pista daquele som sujo e chamativo.
Indecifrável e bem escondido, desisti. Acabei, segundo o significado de um vernáculo do dicionário, no seu sentido figurado, em uma “inutilidade de tratar os mesmos temas (considerados infecundos), numa discussão ou pesquisa intelectual ou artística, de modo repetitivo, complacente e inconcludente”.

Sonho

Um local desconhecido. Vários ambientes, acessíveis cada um por uma porta. Ele entra em uma delas e da de cara com várias pessoas conhecidas. Estão comemorando alguma data especial, ele se aproxima, pega um copo de cerveja com uma das garotas, senta e toma alguns goles. Vai para outra mesa e entretém alguns amigos.

Passado algum tempo resolve sair dali e conhecer os demais ambientes, entra em outra porta e se vê entre várias pessoas desconhecidas. Uma pequena interação com cada um dos presentes. Uma garota dentre as demais está sozinha, ele se aproxima e começam a conversar.

Falam sobre o comportamento feminio e demais coisas que fazem com que uma mulher se interesse pelo homem. Ele não quer só conversar com a garota, há algo mais no olhar e nos seus movimentos. E então, a resposta final:

-As personagens da Sandra Bullock não influenciam diretamente na personalidade das mulheres.

A luz acende.

    O sonho acabou.

    (Baseado em fatos supra-reais)

    Multiverso de Somniu

    Noite passada, enquanto observava a lua crescente, que parecia um móbile pendurado em Vênus, lembrei de algumas músicas que gosto, onde a lua, ora é azul, em outras é verde, o que me parece depender muito da manifestação cerebral do momento… Meus pensamentos fluem de maneira associativa, muitas delas inusitadas e desta vez, saltei da lua para um texto que li a muito tempo sobre o mito surrealista da Deusa Somniu, que criou a si mesma e um multiverso para abrigar as criações espontâneas que brotavam de seu corpo a cada novo pensamento. Neste multiverso, a ordem era mantida graças a uma corrente telúrica, de um violáceo pálido, calmante e que ao mesmo tempo elevava as vibrações emanadas pelas criaturas até a camada de Phantasia, onde se condensavam formando pequenos acúmulos de força viva, que gravitacionavam em espiral expansiva, indo em direção aos vários mundos da deusa. Digo mundos, pois é mais fácil visualizar vários planetas do que uma cadeia de vãos planetários a serem ocupados numa infinidade de lugares em plena construção. Tudo, é claro, interligado pela imaginação. Somniu não tinha no princípio a intenção em criar o multiverso, porém a proliferação de criaturas era tamanha que estas acabaram por viver em agrupamentos em determinadas regiões do espaço disponível, cada qual conforme suas capacidades, que não eram poucas. Então, quando a deusa viu que suas criaturas estavam encontrando semelhanças entre si, visto que todas partiam da deusa, e formando pequenos grupos de convivência, previu que a criação do multiverso seria necessária a despeito inclusive da proporção gigantesca do aparecimento de tais seres. O multiverso era dividido em vários universos e estes em planetas menores, que eram divididos em sessões, sendo que cada sessão era muito maior que nosso planeta Terra, embora não possamos comparar em termos territoriais, mas levando em consideração que no multiverso da deusa, era de conhecimento e uso de todos até a quinta dimensão, podemos ter uma idéia da infinidade e da mistura de tempo e espaço. Os seres mais evoluídos – também nasciam criaturas de maus sonhos ou maus pensamentos e até Somniu tinha seus dias de enfado quando podia pensar coisas inúteis – poderiam até, mediante algum esforço e através de sextas ou sétimas dimensões, mudarem sua forma e ainda criar uma nova sessão para sua nova existência. Ao passo que os imperfeitos tinham a possibilidade de evoluir e se aprimorar.

    Agora me foge o restante deste mito, lembro apenas que algumas criaturas chegaram mesmo a viver independentes da deusa como quando temos sonhos lúcidos e dentro deles podemos escolher os caminhos a percorrer. Vou procurar ao menos a fonte desta história… Deve estar em algum arquivo perdido. Isso lembra também alguns quadros de Miró, como Carnaval de Arlequim, onde tantas formas ocupam um mesmo espaço, de forma harmoniosa, de forma a se destacarem cada uma com sua beleza.

    f.

    Paralelo surrealista

    A Folha de S.Paulo desta terça-feira (19) publicou em sua primeira página um editorial sobre os processos movidos por fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus contra os jornais “Extra”, “O Globo”, “A Tarde” e contra a própria Folha. Nos processos, os fiéis se dizem ofendidos pelo teor de uma reportagem da jornalista Elvira Lobato, publicada em dezembro, que descreve as milionárias atividades do bispo Edir Macedo.
    Leia à íntegra do Editorial.

     

    Fazendo um Paralelo Surrealista:

    Um padre foi processado por pregação de má-fé com embasamento no código de ética religioso.

    Trata-se de um processo administrativo movido pela Ordem dos Padres do Brasil, a OPB, na pessoa do ora nomeado presidente Dr. Bento.

    Logicamente este não irá manusear o processo pessoalmente, outorgando poderes a algum representante religioso no Brasil.

    O tal padre teria agido em proveito pessoal, invocando Princípios da Bíblia Federal para apoiar sua pregação, com o objetivo de favorecimento pessoal, especificamente enriquecimento por doações acima do limite dizimal, estipulado pela tabela da OPB.

    Poderá ter sua carteira de padre suspensa que, enquanto efeito, não poderá exercer sua profissão religiosa.

    Também existiram denúncias de abuso de autoridade deste padre aos menores aprendizes…

    Seguindo a ótica da OPB, muitos atuam nesta profissão ilegalmente, sem possuir carteira legalizada opebista e cobrando honorários de forma a afrontar certos princípios.

    No entanto, a OPB, enquanto tradicionalista, está em constante decadência no mundo. Muitas outras Ordens estão surgindo, adotando correntes doutrinárias mais modernas e moldáveis à aspiração social, tendo como característica, a tabela de honorários dizimais reajustadas, o que gera muitas discussões.

    Vale lembrar que todas atuam em nome da Deusa (Justiça), e sinceramente espero que, em qualquer caso ela nunca seja esquecida, como fim.

    Ítalo

    Pandora

    As vezes, antes de iniciar uma poesia, ou talvez para melhor exorcizá-la de minha ilegível e confusa mente para o papel, escrevo tudo o que está se passando pela minha mente. O resultado é um monte de palavras amontoadas que precisam ser rearranjadas para formular um sentido inteligível. Não foi o caso desta, pois ao tentar construir tal operação, utilizei-me de palavras parecidas ou de fonemas parecidos, remetendo uma sentença a outra. Daí saiu o seguinte:
    “Aos que estão, que estão estáticos, questionando aquela questão que está quieta, queremos que estes estáticos esquisitos não se queixem e queiram questionar quem quer que esteja querendo qualquer coisa. È a questão que quer calar”.
    Após ler a frase nascida, da qual recorri para buscar inspiração, veio em minha mente a figura de algo que guarda alguma coisa. Uma caixa! Uma vez inspirado, busquei algum “eu-lírico” e o resto foi fácil…
    Oh, caixa cubólica esquisita
    cuja missão é sempre guardar
    Cuida de assuntos sempre alheios a ti
    e até segredos que vem a calhar
    Fileiras e pilhas te encalham aí
    mas tua presença sequer é notada
    pois tu és tímida e quadrada
    depositada nos cantos aqui e ali
    Soberana sabedoria compactada
    recheada de lembranças embaraçadas
    na maioria informações já usadas
    e que foram até descartadas
    Se nascestes pra ponderar o que guarda
    quem guardaria algo em tí?
    Siga a vocação que te foi emanada
    Não deixes que te abra
    minha namorada!

    Stevie Wonder

    “Pra onde foi
    Aquele brilho de antes
    Quando podíamos sentir a roda da vida
    Mudar nossos caminhos?

    Agora parece que
    Os sonhos de antes
    Foram apenas um joguinho tolo e cruel
    Que costumávamos jogar
    Antes de mim, antes de ti, ontem…”

    Stevie Wonder em Yester me, yester you, yesterday.

    Nunca tinha ouvido o Stevie, melhor, tinha ouvido sim, naquela I just call to say I love you (quem não viu o clip, que veja!) mas não sabia que era ele. Bom, tirando essas duas músicas não consegui gostar de mais nada do que ele canta, embora ache a voz e letras incríveis… A música é alguma coisa muito esquisita na minha vida.

    Eu sinto pena da população da Terra. Tão poucos vivem no Brasil e ninguém sacoleja tal qual nós… Eu tenho sacolejo, sacolejeiamento ex-universitário, faltam universitários no país, eu tenho sacolejo… Parabéns, tu és um Bacharel em Direito, e tens sacolejo! Que falta? Um emprego! O sacolejo do emprego, o emprego de sacolejo! Não, eu não moro perto das Micaretas, nem dos carnavais fora de época, nem dos Carnatais, nem dos carnavais de inverno tampouco dos carnavais normais. Nenhum lugar pra se esconder! A mítica figura do carnavalesco, um ser que se preocupa com alguma coisa séria! Pequeno Príncipe da América Latina, filho de Antônio de Santo Exu! Boa sorte pra ele! Ele tem sacolejo, sacoleja e ganha dinheiro com isso.

    O sistema solar

    “(…) pode soar como música de outro planeta, mas certamente é conduzido com os pés no chão.”
    [Pesquisa feita no Google: "outro planeta."]
    Saturnino, ator, filho de Mercury, protagonizou uma cena com muita precisão, mas pouca paciência. Seu pai, diante do fracasso, mudaria em breve e abriria uma casa noturna.
    Levado por instintos neotailandeses, sequer sabia da existência do arcabouço desumano em que a crueldade se apoiava e retirava nutrientes. Saturnino apaixonou-se pela mulher errada, mas não conseguia compreender a razão disso.
    Vênus era coloquial demais à sua concepção de mulher. Mas não era culpa dela, mas sim dele, pois era dotado de uma certa insegurança e baixa auto-confiança.
    Não obstante, era covarde demais para negar o seu amor por ela. Saturnino então despendia seu extinto salário em bares, buscando compreensão e apoio em amizades etílicas do recinto, onde tocava a velha banda “As Marcianas”.
    “Cara você não foi legal você nem imagina como eu fiquei afinal
    Cara me entreguei de paixão você pisou no meu peitovocê me deixou na mao
    Só de lembrar porque fui te amar
    Eu choro o teu amor foi uma onda que balancou meu barco
    Me perdi sem seus espacos solidão me pegou”
    [Cara. As Marcianas]Saturnino buscava um sentido a sua vida. Mudou-se para Santa Catarina onde acessou o provedor Netuno, buscando encontrar um novo apartamento.
    Conseguiu um na esquina da rua Junqueira com a rua Plutão. Local este muito badalado nos finais de semana. Com o fim de observar o movimento, foi logo coprar algum objeto que poderia aumetar o seu campo de visão.
    Pensou em um binóculo, mas ficou encantado com o Telescópio Jupter 525×700x60mm e decidiu comprá-lo.
    Após muito observar, encontrou uma casa noturna do qual seu pai Mercury havia lhe falado.
    Era a Uranus Night Club, e pelo movimento fazia muito sucesso. Foi neste momento que seu lado sentimental veio a tona e o levou ao fim. O não sucesso como ator o fez perder a cabeça. Ao ver e perceber que todos estavam se rendendo ao álcool a sua volta, decidiu acabar com sua vida sóbria.
    A janela da qual pulara ia ficando cada vez mais longe… A medida que girava, podia ver a lua. Talvez o sistema solar inteiro.

    Acre

    “Não disse que seria fácil, disse que valeria a pena.”

    Da monografia da Thalita, 5º D, direito, Univem (vem você também).

    Garimpeiro do horizonte, onde se esconde tua navalha assassina? É ali adiante? Aquela vagabunda de corte cego matou meu gato e escondeu minha cueca! Soltou doze dos meu pássaros antes mesmo de eu acordar e depois, sem-vergonha, sentou no meu sofá com a maior cara-de-pau, e assistiu Gilberto Barros com o maior entusiasmo! Como pode ser? Não me pergunte, foi o que me contaram… Ela simplesmente disse, no interrogatório, que sonhara com o apresentador, nú, e que precisava urgentemente ve-lo, pra ver se realmente era ele. Talvez nem Freud explique essa obsessão por apresentadores suados de TV. Realmente, não entendi porque meu gato foi morto. A navalha limitou-se a reservar-se no direito de ficar calada quanto este acontecimento. Mas nada me tira da cabeça que foi ela quem lhe arrancou as minguadas tripas. No mais, a cueca escondida, por não ser crime, disse, nos autos, que precisava dar uma de Saci pererê, porque uma navalha cega, sem eira nem beira, que se limita a enferrujar, apenas, destina-se em geral à sucataria, e, como ela deixa bem claro, seu destino vai muito além do porco do ostracismo!

    Goiás

    “Deus, nenhum lugar pra onde correr!”

    Martha and The Vandellas

    Sim timoneiro, o verão veio dar o ar da graça ao planeta Brasil. Comprou água sanitária das boas e sacudiu a polvóra da moçada. Cargueiro místico, interior mítico, baleeiro linguístico, sanfoneiro artístico, alvoroço ansiolítico! Corja de bem-feitores (créditos à Dona Chlires Hoffmann) que me fazem sentir medo do bem-querer da Dona Aranha que passa perto de um cigana cujos braços voam altos, à escuridão do medo sem fim de um noite fria de verão!

    Timoneiro velho de guerra, foi lindo demais acompanhar aquele povo todo durante 5 anos, alguns mais, alguns menos, mas foi tudo tão intenso e preso, tudo tão grande e muitas vezes sem nenhum sentido de ser o que devia ter sido, timoneiro! As andanças, os prédios, a vida girando tonta no altar redondo do grande salão oval… As gurias dançando feito tontas, os rapazes olhando feito raposas, as ciladas, as cagadas, os mutirões pela madrugada timoneiro, quanto coisa, quanta gente, quanta merda e quanta mosca! Quão bom foi tudo, e quão mal não foi não ter visto o que me pediram pra ter tido, ainda bem que não fugi, não arredei, não desisti, timoneiro, não ainda e não depois, porque agora é tempo e em tempo, por enquanto, estou mais do que feliz, como Clarice nos disse, o que eu sinto e quero esta além, não é liberdade, é alguma coisa que não tem nome. Até timoneiro!

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