Um espetáculo ocorria dentro de um apartamento na zona rural de Goiás. Entrei pela janela, como mandava a tradição dos orientais ali presentes.
Uma explosão de som emudecia as bocas fechadas pelo ar condicionado que, de tão forte, fazia com que o assado de porco, recém saído do forno, ficasse resfriado.
Neste momento procurei misturar-me aos contadores de moedas do sofá da esquerda, mas não fui bem sucedido. Ao me aproximar, acabei derrubando alguns centavos pela fresta do sofá.
Afastei-me com medo daqueles olhares e enfiei-me dentro da geladeira. Lá dentro, ofereceram-me pudim de leite condensado. Uma mulher de cabelos longos ofertou um pedaço em cima da tampa da margarina.
Após agradece-la, percebi que batiam na porta da geladeira. Abriram-na. Saí nesta oportunidade e fui para cozinha.
Algumas mulheres gordas, comandadas por um jovem cozinheiro faziam uma prece. Sentados em circulo e de mãos dadas, falavam sobre as pirâmides do Egito, enquanto uma baiana japonesa benzia-os com o shoyo.
Tentei iluminar a situação com uma vela, mas fui proibido de ascende-la, pois o ar já estava rarefeito.
Um homem de aparência oriental me disse que o oxigênio do apartamento era contado na medida exata para os habitantes presentes, e que era a sua função aumenta-lo ou diminuí-lo, de acordo com o numero de pessoas.
Tomou-me a vela das mãos e apontou-me o quarto de maneira efusiva.
Ao adentrar-me no recinto, topei com um caixão e pessoas vestidas de roupas escuras com um olhar melancólico. No entanto, em suas cabeças, um chapéu feito de pele e lã de carneiro aparentemente contrastavam com a situação.
Isto pois dentro do caixão um carneiro jazia.
Um Conto Surrealista
Publicado 10 Junho, 2008 Contos 1 ComentárioTags: busca, conto, loucura, surrealista
As cordas daquele instrumento maldito fizeram-me desfrutar de um desejo carnal saliente. Um deja-vú fez-me lembrar da crosta terrestre do meu bairro. Corri em direção a ele, com uma moto-a-vela, emprestada do capitão da polícia. O som do martelo de vento disparou-me às minhas costas como se fosse uma caneca de chá.
Algo escorreu-me às pernas.
Um energético de frutas vermelhas fez-me acordar do tombo. Nada fazia muito sentido naquela noite ensolarada e fria. Os patos faziam cesta a minha volta e aquele som ainda me excitava. Como poderia me satisfazer?
Apanhei um bocado de lenha e construí uma estatua do que poderia estar pensando. Mas logo que ficou pronta, senti um frio na espinha e ateei fogo. Aquilo ficou indemonstrável e indecente! Esquentei-me com a fogueira apagada pelo sol, que refletia na água, respingando nas margens daquele rio, que, com o tempo, chegou a secá-lo completamente.
Um vulto contou-me aos sussurros, da periculosidade com daquele local. Contou-me uma história de pessoas que morreram ali, pois lutavam e se matavam por algum pedaço de pano simbólico.
Satisfeito com o sermão, continuei buscando satisfazer-me. A medida que corria, acompanhado pelos patos, percebi que estava descalço. Agradeci (acho que aos patos) por isto, pois meus pés desnudos fizeram-me sentir um alçapão no asfalto da floresta do rio seco.
Desci por uma imensa escada, que me levaram a um estabelecimento comercial de velas para navios antigos.
O atendente logo veio maldizer o tempo, pois, segundo ele, não chovia há algum tempo.
Perguntei-lhe daquele som que ouvira e que buscava com empenho, mas ele ruborizou a face e me ofereceu um café.
Concordamos, naquele momento, em ler o jornal: “Ouro reabilita droga anti-HIV em teste”
“Inglaterra poderá fazer vinho “francês” em 2080´, diz estudo”.
Após as conclusões necessárias, voltei ao bairro movido por aquele deja-vú para tentar achar outra pista daquele som sujo e chamativo.
Indecifrável e bem escondido, desisti. Acabei, segundo o significado de um vernáculo do dicionário, no seu sentido figurado, em uma “inutilidade de tratar os mesmos temas (considerados infecundos), numa discussão ou pesquisa intelectual ou artística, de modo repetitivo, complacente e inconcludente”.
Provoco-te, pois é estilo
Finges vermelha, pois é costume
Importuno-te, pois sou intranqüilo
Se foges, não és imune?
Sumida, anuncio-te em rimas
Apenas para atentá-la
Nenhuma palavra lastima
Só um aperto de mãos procurava
Inofensivo, ataco-te em despropósito
Apenas para parodiar
Não te ofendas emudecida
Pois não aprenderei “citar”…
Lês, muda e respondes a altura!
Num calibre de alta inteligência
Usas o que achas da minha figura
E crias a própria ciência
Recrias a história contada
contei a historia criada
Mas aqui está a minha rendição
Assinei pergaminhos digitais em néon
Femalê
Publicado 20 Maio, 2008 poesias 2 ComentáriosTags: comportamento, feminino, poema, Poesia, tédio
Trocamos figurinhas
Compartilhamos prazeres
Multipliquei tuas alegrias
Ouvi o som da tua alma
Dancei o teu bolero
Elogiei-te, sincero
Acariciei-te o ego
Dei-te remédio
- Que tédio!
Então fui descartado…
Protesto surrealista
Publicado 13 Maio, 2008 Ensaios 4 ComentáriosTags: bebado, manifestação, protesto, surrealismo
Uma das maiores participações de rua do nosso país foi a chamada Diretas já, que conseguiu reunir distintos setores e classes da sociedade brasileira. 
Neste protesto, diversos partidos políticos, além de civis, estudantes e n lideranças se reuniram para protestar contra o regime. O movimento ganhou massa crítica e reuniu condições para se mobilizar abertamente.
Mas muitas são as formas de protestar, tais como a manifestação pública de idéias, bem como a afronta aberta à Lei, chegando ao caso extremo da prática de terrorismo!
Existe também o chamado protesto artístico, assim dito pela forma criativa de executá-lo. Aqui a forma mais comum de expressão é a utilização de cartazes e faixas. Mas nada impede outras formas de expressões criativas para passar a idéia sobre uma causa.
Sem dúvida, mas pouco notado é que a arte é freqüentemente usada como parte destas manifestações, tal como a pomba. Ela é um dos ícones dos protestos, pois como você sabe, simboliza a paz.
Nada impede que haja protestos utilizando-se do surrealismo. É o caso do vídeo abaixo. Ignorando-se o fato do líder da causa (e único ativista) estar com os sentidos alterados por alguma substância, nota-se que a causa de seu protesto é surrealista.
Enquanto alguns protestam contra a corrupção, a fome ou a legalização da maconha, este senhor nitidamente poderia dar sua vida pela causa, deveras surrealista. Veja sua manifestação:
Reflexo real, conclusão surreal
Publicado 6 Maio, 2008 Poesias surrealistas 3 ComentáriosTags: espelho, poema, Poesia, reflexões, reflexo, surrealismo
O espelho refletiu-me
Com um reflexo direto
Um tanto indiscreto
Um tanto familiar
Nenhuma conclusão
Só certeza singular
de imagem invertida
de maneira regular
A imagem é real
E se afasta da finalidade
de arte!
Não há o encanto mágico
Não há efeito surreal…
As mãos não são duas bocas
Que me comem a cintura
E que acham que é um presunto
E que acham que é gordura!
Onde está o entusiasmo ao êxtase
que excita a imaginação?
Não me admira que a realidade
Seja cinza e sem emoção.
Paralelo surrealista
Publicado 10 Março, 2008 Contos , Notícias 1 ComentárioTags: ordens, paralelos, surrealismo
A Folha de S.Paulo desta terça-feira (19) publicou em sua primeira página um editorial sobre os processos movidos por fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus contra os jornais “Extra”, “O Globo”, “A Tarde” e contra a própria Folha. Nos processos, os fiéis se dizem ofendidos pelo teor de uma reportagem da jornalista Elvira Lobato, publicada em dezembro, que descreve as milionárias atividades do bispo Edir Macedo.
Leia à íntegra do Editorial.
Fazendo um Paralelo Surrealista:
Um padre foi processado por pregação de má-fé com embasamento no código de ética religioso.
Trata-se de um processo administrativo movido pela Ordem dos Padres do Brasil, a OPB, na pessoa do ora nomeado presidente Dr. Bento.
Logicamente este não irá manusear o processo pessoalmente, outorgando poderes a algum representante religioso no Brasil.
O tal padre teria agido em proveito pessoal, invocando Princípios da Bíblia Federal para apoiar sua pregação, com o objetivo de favorecimento pessoal, especificamente enriquecimento por doações acima do limite dizimal, estipulado pela tabela da OPB.
Poderá ter sua carteira de padre suspensa que, enquanto efeito, não poderá exercer sua profissão religiosa.
Também existiram denúncias de abuso de autoridade deste padre aos menores aprendizes…
Seguindo a ótica da OPB, muitos atuam nesta profissão ilegalmente, sem possuir carteira legalizada opebista e cobrando honorários de forma a afrontar certos princípios.
No entanto, a OPB, enquanto tradicionalista, está em constante decadência no mundo. Muitas outras Ordens estão surgindo, adotando correntes doutrinárias mais modernas e moldáveis à aspiração social, tendo como característica, a tabela de honorários dizimais reajustadas, o que gera muitas discussões.
Vale lembrar que todas atuam em nome da Deusa (Justiça), e sinceramente espero que, em qualquer caso ela nunca seja esquecida, como fim.
Ítalo
Fora do ar
Publicado 29 Fevereiro, 2008 Poesias surrealistas 10 ComentáriosTags: ditadura, Poesia, razão, surrealismo
Naveguei sobre o mar dos sonhos
embora possua esclerose lateral amiotrófica
O meu barco virou
contra a ditadura da razão
Aprendi a nadar
Virei um astro de TV
Aprendi a voar
até uma vila no Estado de Sergipe
Como é bom estar no ar
acho que vi um pássaro originário da Australásia!
Como é bom estar fora do ar…
“Aos que estão, que estão estáticos, questionando aquela questão que está quieta, queremos que estes estáticos esquisitos não se queixem e queiram questionar quem quer que esteja querendo qualquer coisa. È a questão que quer calar”.
Após ler a frase nascida, da qual recorri para buscar inspiração, veio em minha mente a figura de algo que guarda alguma coisa. Uma caixa! Uma vez inspirado, busquei algum “eu-lírico” e o resto foi fácil…
cuja missão é sempre guardar
Cuida de assuntos sempre alheios a ti
e até segredos que vem a calharFileiras e pilhas te encalham aí
mas tua presença sequer é notada
pois tu és tímida e quadrada
depositada nos cantos aqui e aliSoberana sabedoria compactada
recheada de lembranças embaraçadas
na maioria informações já usadas
e que foram até descartadasSe nascestes pra ponderar o que guarda
quem guardaria algo em tí?
Siga a vocação que te foi emanada
Não deixes que te abra
minha namorada!
Entre na minha
Publicado 12 Novembro, 2007 Poesias surrealistas 4 ComentáriosTags: Lisérgico, Poesia, surrealismo
Boca
Roupa
Louca
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Toquei o céu com um cabo de vassoura
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Admiradores do mundo novo
Rainha do sentimento
Documentos esparsos
Utópicas irrealidades
Operação secreta
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Espelho quebrado sobre a cama
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Admiradores do corpo novo
Rainha dos documentos
Mentes conectadas
Acionamentos planejados
Decodificar o mapa
Argúcia necessária
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Almoço para duendes
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A lua de mel
Conquistar a rua
Alimentar os ursos
Saborear o mel
Olhar para o fim
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Marcas de cigarro
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Molestar o improvável
Esticar no fim do espaço
Legislar na ditadura
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Óleo de firula




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