A metamorfose kafkiana

7 05 2009

Kafka deve ter sido interpretado de inúmeras maneiras. A partir do momento que você escreve alguma coisa, quem lê digere aquilo da maneira que lhe convém e reproduz do jeito que quer, é fato. Com Kafka não é diferente, basta fazer uma breve pesquisa no Google que os resultados vão pulular na sua tela.

Um de seus livros mais interessantes é a Metamorfose, tanto pelas diversas interpretações quanto pela história. E pelo que me parece as escolas estão cobrando sua leitura. Se você chegou aqui procurando um resumo, achou. Faça o seu trabalho da escola, mas por favor não pare por aí. Feito o trabalho, a leitura não é mais obrigatória, portanto muito mais prazerosa. O texto é pequeno, não vai perder nem um dia da sua vida, pelo contrário, vai ganhar e muito. 

Interprete Kafka à sua maneira, te ponha no lugar da baratona, sinta os olhares daquele povo. Não é tão absurdo quanto parece, garanto. Pra falar a verdade o mundo de hoje é tão mais absurdo que uma comparação seria injusta…

Kafka

Lembre, Kafka era um advogado mas trabalhou como bancário a vida toda, ou seja, com certeza conheceu a mais lenta burocracia de toda galáxia (imagine os bancos em 1920), nunca foi bem sucecido nem queria que seus livros fossem publicados depois de morto. Judeu, sexualmente frustrado tido por alguns como homossexual (não sei como nem porque), Franz Kafka também é para mim um dos maiores romancistas que a história já conheceu. A biografia é “triste”, concordo e infelizmente, quanto pior pra eles melhor para seus leitores…

Crédito fotográficos: Flickr e blog.

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4 respostas

11 05 2009
Beth

Confesso. Nunca lia A Metamoforse. De Kafka conheço O Processo, livro este que causou uma grande revolução no direito processual penal e ênfase ao contraditório e ampla defesa.
O interessante é você observar essa percepção do leitor, principalmente quando muitos citam frases ou partes de um texto, sem saber ou conhecer a história daquele autor, da sua vida, muitas vezes refletida nas entrelinhas de um texto. Cito um exemplo: Maquiavel. Coitado de Maquiavel que até hoje carrega nas costas a associação com o maléfico, a maldade. Pura intriga estatal.
Saber que Kafka tinha uma certa veia juridica, de ser de origem judaica, é muito importante para entender um pouco de seus pensamentos à época.

beijos

19 05 2009
j. noronha

A primeira vez em que li “A Metamorfose” o embrulho no estômago foi grande, hehe…

Acho que gay Kafka não era, não que haja algo de errado com isso, mas ele se frustrou com várias mulheres, para não perder o costume de ser frustrado em tudo.

O problema das interpretações é que descobrem coisas que nem Kafka sabia que havia escrito. Li uma versão comentada do livro que forçou um bocado.

Mas meu favorito ainda é “O Processo”, como um cão! é uma das melhores frases que já vi para fechar uma história.

12 06 2009
Simone89

Estou atradasa, eu sei, mas cai sem querer nesse seu post bem no dia que acabei de ler O Processo, então não posso deixar de comentar. Uma coisa interessante sobre o Kafka é que ele tinha um forte complexo devido à figura de seu pai, que ele passou a vida toda tentando entender e se desvencilhar. Isso fez do medo um fator constante nas suas obras, tanto que seus personagens, que não são nada mais do que reflexo dele mesmo, se encontram sempre em uma situação inexplicável e sempre com um corpo tosco, herança também do seu trauma por ser tão franzino em contraste com o pai, um homem grande. Estava pensando justamente nisso quando cai aqui no seu blog. Engraçado como a internet consegue fazer isso de vez em quando.. Abraço!

14 07 2009
Cecília

Olá. Sou a Cecília e trabalho na Edelman, agência de comunicação da Jorge Zahar Editor. Para entender Kafka, a editora acabou de lançar o livro ‘Kafka em 90 minutos’, sobre a vida e a obra do autor. No livro conta que ele escolheu estudar direito porque era um curso que envolvia um objetivo menos rígido, ou com mais possibilidades, o que lhe permitia adiar por mais tempo uma tomada de decisão.
“Em 1922, Kafka havia se tornado patologicamente reservado e perseguido pela angústia. Desesperado com sua vida, seus escritos e hábitos autodestrutivos, considerava-se fadado a uma batalha de aniquilação”.
Só com com estes trechos, percebe-se como sua vida pessoal influenciou sua literatura.

Abraços.

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