Max Ernst

22 02 2008

Pode-se dizer que Ernst foi um dos primeiros pintores surrealistas propriamente dito. Como fiz com Dalí, não vou escrever uma biografia, isso também já foi feito (o autor é Ulrich Bischoff e o livro, salvo engano, chama-se Max Ernst 1891-1976: além da pintura), vou é comentar o que de mais importante considero na vida de Ernst porque ele fez mais do que viver, judeu de origem alemã (perseguido na 2ª guerra), pensou um mundo das artes diferente e foi o primeiro a propor duas coisas nesse intrigante mundo: parar de fazer as coisas ou como elas são (acadêmicos), ou parar de fazer sempre a mesma coisa (naturezas mortas, flores etc). Com seu O elefante Célebès, a pintura teve um novo marco, retratar ou criar segundo pré-definições estéticas não era mais tão importante, o que entrava em voga era aquilo que o subconsciente retrava. Ernst encarava isso como um não planejamento das imagens, elas simplesmente apareciam no decorrer do seu trabalho.

Tanto era assim que Ernst nunca teve aulas formais de pintura. Suas técnicas não se limitavam a pincelar quadros, ia muito além, criou métodos dos mais variados, dentre os mais conhecidos, os da colagem, fotocolagem, fricções, transferências etc. De posse de tais métodos/técnicas, Ernest foi um dos poucos “pintores” a demonstrar que genialidade e arte não andavam de mãos dadas de jeito nenhum, dizia que uma vez dominada a técnica, o que se pode fazer beira o infinito.

O que mais me chamou (e continua chamando) a atenção em Ernst são duas “pinturas” ímpar, nelas a técnica utilizada é a da transferência. Pelo que entendi, Ernst pegava uma fatia de pão ou mesmo um papel, colocava tinta e espremia na tela… As imagens que brotam são sem-iguais! Dizia ele que tal técnica, no início, é meio complicada e irritante, porque você tem que testar a pressão de várias formas, mas depois de alguma experiência, o resultado é algo como Europa depois da chuva (ou Europe after the rain). Não sei se ele se referiu à deusa Europa ou ao continente, entretanto, explicar quadros surrealistas é a última coisa que pretendo fazer. É claro que a maioria dos quadros famosos não foi feita por meio dessa técninca, um belo exemplo de quadro que causou o maior rebuliço foi o A virgem espanca o menino Jesus vigiada por 3 testemunhas: André Breton, Paul Eluard e o próprio artista. Os motivos são óbvios… Outra característica marcante dos quadros ernstinos de Ernst são que você dificilmente vá notar alguma semelhança intrínseca na forma ou mesmo nos desenhos. A diferença é tanta que se você enfileirar vários quadros dele, dificilmente vai parecer que só uma pessoa pintou de tantas formas.

Bom, Ernst fica por aqui, vale lembrar que surrealistas nunca andam sozinhos, Leonora Carrington, pintora que também será alvo de um comentário do Surrealismo do Acaso (um dia), andou dando uns malhos com nosso surrealista-tema, malhos esses muito mal sucedidos, ambos comeram o pão-que-o-diabo-amassou, não por causa da moral e bons costumes, culpa de Hitler, mais uma vez.

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13 responses

22 02 2008
gustavão

Salve, amigão. Insustentavelmente leve? Quer melhor inspiração para compor uma obra surrealista?

Da nossa parte, precisamos sofrer um pouco para nos inspirar.

Lemos alguns dos seus contos. Muito bons!

Abraço!

26 02 2008
B.Cardoso

Eu adoraria ver um filme dirigido pelo Mel Gibson sobre o nascimento de Cristo e tendo sua apoteose na cena retratada pela virgem o espancando. Seria sensacional. E, claro, a quantidade de sangue do bebê, assim como a do Jesus adulto na Paixão de Cristo, seria, err.. surreal.

17 03 2008
Magritte « Surrealismo do acaso

[...] que o planeta Terra teve o prazer de dar moradia. Novamente, tal qual fiz como Dalí, Ernst e Miró não farei um biografia, já o fizeram (salvo engando, Marcel Paquet no livro René [...]

4 04 2008
Carla Cristiane

Amei a historia de Ernst não pensei que fosse tão realista ou quer dizer tão “surrealista”.Fico por aqui,Leona Carrington.

Carla Criatiane.

7 04 2008
adriane

vlw! essa matéria me ajudou a fazer um trabalho da escola.
vlw mesmoooo

xau

4 05 2009
Yves Tanguy « Surrealismo do acaso

[...] Multiplicação dos Arcos não ultrapassa o imaginário de Miró mas assemelha-se à genialidade de Ernst… Um clássico surrealista, [...]

14 06 2009
lucas

muito bonitas essas pinturas

9 12 2009
virginia

nossa como essas imagens do surrealismo e legal
adorei as obras

18 03 2010
maria estela

ficou otimas essas pinturas
vou clocar no meu trabalho

19 04 2010
Flávia, Vitor , Jessica, Acionizia

Dah hora ai doido!
MacabrooooOOOOooo \o…..
Eh mais ja q temos q estudar, fazer o q né???
uashuahsuahs……

20 05 2010
fabio nunes

Ví quatro “colagens” de “Uma semana de bondade” exposta no Masp. Quatro colagens de Max Ernest a partir da ascensão do nazi-fascismo na Europa. Quatro “colagens” muito loucas. Ernest demonstra uma sensibilidade extrema, um cuidado surreal com as imagens. Ernest nos fala de autoritarismo e catástrofes. Hitler e os destroços da sociedade burguesa. Max Ernest pode ser um artista necessário nestes nossos dias pasmacentos de imensas tragédias.

28 11 2011
ingrid

adorei conhecer essas pinturas muito benfeitas arrasou ill..gata

14 02 2013
marcia eduarda

vlw msm me ajudou mto em um trabalho da escola

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