Silêncio

“Se a música é o combustível do amor, que toque!”
Acho que foi Shakespeare

Ouvindo rádio em Itapuã. Penso que só eu consegui fazer essa troca na famosa música (o certo é ouvindo o mar de Itapuã, não é?).

Chamava-se Othelo, em homenagem ao bardo. Era da Bahia por obra de sua mãe. Era loiro por descuido do pai. Corria a passarela do álcool por não ter mais o que fazer. Sentava-se na areia por não saber o que fazer. Chorava amiúde por um amor que nunca teve. Faxinava as lembranças pra esquecer da solidão. Bebia café pelo nacionalismo esquecido ás margens do Ipiranga. Fumava por simples mistura, do ar baiano com o vício metropolitano.

Enxia os pulmões só pra marcar tempo, a vida passa, os olhos estacionam, o coração bate pra cumprir tabela. E canta pra ver o vento passear as costas da praia de Porto Seguro. Viaja pra ver se sente, pelo menos uma vez, a senção de ter saído do lugar. Em Itapuã, o sol a raiar, o rádio a escutar.

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